segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Continuação I - Vendinhas e Ferrari

Como eu disse, muitas estórias que contei aqui tiveram continuação, e como eu havia fechado o blog, fiquei sem poder dar a continuidade que elas mereciam.

Neste post, tentarei dar continuidade a alguns dos meus posts anteriores.

No caso das "Vendinhas", hoje sei que a grande maioria delas são pequenos negócios que ainda proliferam em Sydney, e pertencem a imigrantes de outros países, principalmente asiáticos. Estes são os povos que trabalham mais nesta cidade, e costumam não fechar nos feriados. Alguns não fecham nunca, enquanto seus donos moram ali mesmo, na casa atrás ou no apartamento sobre eles. 

E aquela história da "Ferrari Vermelha"? Minha gente, não é que a Ferrari proliferou? De repente apareceu outra Ferrari vermelha, e mais outra, desta vez branca. Onde foi que vocês já viram uma Ferrari branca? Só em Sydney. Daí acabei descobrindo quem era o dono da Ferrari vermelha, e também o dono da Ferrari branca, pai e filho, libaneses, donos de negócios na área comercial de nosso bairro. Descobri assim como sem querer querendo, fazendo perguntinhas inocentes a alguns donos de negócios vizinhos conhecidos.

Tais Ferraris agora vivem no lava-a-jato manual que abriu perto de nossa casa. 

Esta neve nãé em Sydney...
Lava-a-Jato Manual

Lava-a-jato manual? Pois é, este é parte de algumas das diferenças entre Sydney e Canberra, e mais semelhanças com o Brasil. Aqui ainda tem lava-a-jatos tradicionais em que existem funcionários de verdade os quais enxugam e dão polimento em seu carro depois de passarem nas máquinas de lavar. Trabalho extra manual. Você deixa o carro e vai buscar, nada de tudo automático e faça-você-mesmo com naquela Canberra nojenta. Este lava-a-jato também pertence a imigrantes, é claro.


Mão na massa
Em Canberra, meu marido só tinha ouvido falar de um lava-a-jato semelhante a este no rádio, mas nunca foi lá por ser totalmente fora de mão e de horário. Todos os outros lava-jatos eram self-service. No próprio revendedor de nosso carro, eles disponibilizavam as "baías" para lavarmos nosso carro, se quiséssemos, mas nós é que tínhamos que fazer tudo, aprender a pegar na mangueira e advinhar como é que ela soltava o líquido, impraticável, mas que os australianos não reclamam.

O que os sabidinhos podem fazer, eles jogam pra cima do idiota do consumidor fazer pra eles. Atendimento ao cliente não parece ser uma coisa que o australiano dê muito valor e nem saiba fazer direito.

Sacos e Sacolas

Sydney também é diferente de Canberra no sentido de puxar o saco e encher com as compras de supermercado. Em Canberra eles decidiram abolir as sacolas plásticas das lojas e super-mercados em nome da ecologia. Agora você tem que pagar por elas. Quem não quer pagar, trás o saco de casa, daí eles vendem umas sacolas mais resistentes pra você usar várias vezes. Porém, em Sydney você ainda tem sacolas plásticas de graça como no Brasil.

Caixas Automáticos

Como se não bastasse, as grandes lojas e super-mercados inventaram os caixas automáticos em que você é quem faz tudo. Até então apenas a cadeia de super-mercados alemã chamada Aldi não embalava suas compras, você é quem tinha que fazer isso, por medida de economia, e para manter seus preços abaixo dos das outras cadeias de super-mercados. Agora as grandes cadeias de super-mercado obrigam você a trazer seu próprio saco, escanear seus produtos comprados, encher seu saco, e escanear seu cartão, soltanto uma nota fiscal pela boca. Tá achando ruim? Pois então enfrente as filas dos caixas humanos cada dia menos treinados em como encher o seu saco direito, dividindo suas compras em gelados, limpeza, carnes, frutas e vegetais, jogando tudo no mesmo saco e arrasando com sua banana, seu mamão e seu pão de caixa fresco.

DYI (do it yourself) faça você mesmo
Nos caixas automáticos, você é o seu próprio caixa, "conversa" com a máquina estúpida, e caso você se atrapalhe, tem uma pessoa de plantão pra tirar as dúvidas. Trocaram vários caixas por uma pessoa só, quebra galho. Com isso eles despediram metade dos caixas humanos, e quem não suporta tais maquininhas como nós, tem que enfrentar filas. 

Em Sydney ainda não tem isso naquela dimensão de Canberra. Daqui a pouco não haverão mais caixas humanos e nem empregos. Tudo o que se empurra goela abaixo nos moradores de Canberra, eles aceitam sem reclamar. Em Sydney é um pouco diferente.

Correios

Existe um corolário até certo ponto agradável nesta diferença entre Sydney e Canberra. De tanto ir lá nos correios pegar encomendas, os donos aqui em Sydney me conhecem. Por conta disso, agora me é possível pegar encomendas para meu marido e meus filhos sem precisar ter que provar quem sou e quem eles são, ou sem eles exigirem que só cada um tem que ir pegar suas encomendas porque estas são as regras atuais da Austrália, cada dia mais às voltas com as safadezas do povo australiano tão maravilhosamente educado. Isso é para evitar que ex-esposas ou ex-maridos peguem as coisas dos ex-maridos ou ex-esposas ou dos ex-filhos e façam mal uso sem o consentimento deles, coisa cada dia mais comum nesta sociedade. 

Caixa de correios
É assim que também se mede uma cultura de um país, pelas suas regras de coibições públicas. Aqui, o fato de ser marido ou esposa não lhe dá o direito de pegar uns as coisas dos outros, porque os casais separam-se tanto, as vinganças são tão malignas, e as reclamações são tantas que tanto os governos (de cada estado bem como o federal) e os negócios criaram exigências absurdas e ridículas para evitar que os cônjuges tenham acesso às informações do outro para usá-las contra eles em suas batalhas jurídicas. Isso é em todo lugar que você entrar em contato, desde bancos até consultórios médicos, e outros órgãos federais. Tudo pode ser usado contra o outro. Estas regras tornam sua vida de pessoa normal um inferno, só por causa das excessões.

Gasolina

Em Sydney você tem várias "marcas" de postos de gasolina. As mais poderosas como Shell, andaram fazendo acordo com as duas maiores redes de super-mercados nacionais que dão descontos aos seus clientes, a serem utilizados nos postos de gasolina conveniados. Era um bônus bastante atraente até poucos anos atrás. Ultimamente foi denunciado que tais descontos não fazem nada além de baixar o preço para ficar igual aos postos não conveniados, ou seja, a maioria dos pequenos postos vende gasolina mais barata do que os grandes distribuidores que se utilizam de má-fé para enganar os consumidores lhes dando descontos inúteis.

DYI (do it yourself) faça você mesmo. E os empregos, minha gente?
Agora imaginem que em Canberra não existe tal proliferação de postos de outras "marcas", lá a maioria é constituída dos grandes distribuidores. Resultado, Canberra é réfem das grandes cadeias de super-mercados e grandes distribuidores de gasolina. E os governos não tomam nenhuma providência? Não senhor, ao contrário, tudo vai sempre piorando para o ser humano comum, mas eles não reclamam.

Como se isso não bastasse, desde que chegamos aqui na Austrália que o sistema de fixar os preços dos combustíveis é altamente variável, variando conforme a bolsa de valores. Isso significa que o preço pode ser um de manhã, e mais caro ou mais barato horas depois. Em Sydney sempre foi assim, o que nos leva a escolher o posto mais barato em nosso caminho, não interessando a "marca" ou o local. Nossa mania atual é olhar placas de preços de combustível nos postos de gasolina.

Uma das cadeias mais baratas (de postos, não de prender gente)
Para piorar, Canberra parou de variar seus preços desse jeito e a mais de dois anos que o preço é único, o mais caro de todos, e nunca muda. 

E ainda dizem que este é um dos melhores países do mundo pra se viver. Como? Com esta exploração descarada?

Aeroporto

Quer mais? O aeroporto de Canberra foi comprado por uma pessoa, a qual comprou também toda a área ao redor e construiu um estacionamento e centro de negócios de altíssimo nível e sofisticação que hoje abriga as maiores consultorias mundiais. Então, para as pessoas estacionarem seus carros, ele construiu sofisticados estacionamentos eletrônicos cobertos e descobertos na área de business. Acontece que você não pode estacionar em nenhum outro lugar senão neste estacionamento em que você tem que pagar caro para o dono do complexo. O governo é conivente pois não contribuiu com nenhuma alternativa e, ao contrário, se você se atreve a estacionar em qualquer outro lugar embaixo da placa de proibido, você paga uma multa monumental. Isso é ou não é conivência com os poderes em voga? Continuem reclamando do Brasil...

Um dos prédios do centro de negócios

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