sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Gregos e Troianos

Não se pode agradar a gregos e troianos, mas pelo menos aos gregos eu ando agradando!

Aqui vai mais uma estória das muitas que tem acontecido comigo em Sydney nestes 7 meses apenas em que estou morando por aqui. Bom, para começar, moro num bairro aonde está concentrado o maior número de gregos de Sydney, e como muito de nós sabemos, os homens gregos são, talvez, iguais ou mais fogosos do que os brasileiros.

Hércules grego
E não é que o dono da doceria, um senhor grego muito simpático que conheci numa loja especializada em doces gregos, simpatizou muito comigo desde a primeira vez que me viu? E agora, quando vou à sua loja para pegar alguns docinhos, ele sempre quer me dar uma abraço e quando o faz, não quer me soltar. Coitado, tão carente. Eu permito, mas na realidade fico muito embaraçada, até porque a mulher dele anda por perto. De tanto eu ir lá, ele fez amizade e faz tudo pra me agradar. Por vezes ele super-lota meu container de docinhos, cobrando a mesma coisa.

Sua mulher então começou a estranhar, e uma vez em que ele não estava por lá, ela me atendeu, e passou a sondar quem era eu, o que fazia e tal. Até que, depois das primeiras cismas, ela acabou minha amiga também, e até o meu perfume, que ela dizia ser maravilhoso, ela fez questão de saber qual era e comprou também!


Medéa grega de Victor Zubeldia
Mas o marido dela só me abraça quando ela não está, claro. Ele se aproveita, não é? Ah, e porque não? Que mal faz um abraço? Mas as coisas não ficaram só por aí não, o grego tem um monte de amigos que frequentam sua doceria e eles estão sempre por lá bebericando e fofocando, um bando de coroas aposentados os quais já fui apresentada, e hoje, aonde passo aqui no bairro, tem grego querendo me abraçar e bater um papinho.

Até nisso Sydney é muito mais parecida com o Brasil do que Canberra. Aqui eu voltei a fazer sucesso novamente. No momento eu sou o terror do “inner-west”, é assim que se chama aonde o nosso bairro está situado. Por onde passo, atraio diversos olhares dos senhores gregos,  respeitáveis que sabem apreciar o que é bom. Não se trata propriamente das propriedades físicas, trata-se da minha famosa simpatia que agrada a todos. Menos ao povo de Canberra.

Deusa grega, mas não sou eu...

Uma vez em Sydney, voltei a um habitat mais parecido ao em que fui criada. Aqui as pessoas me notam. Mas não são só os senhores maduros gregos ou os coroas donos de Ferraris, são todas as pessoas de todas as cores e raças desta cidade. Aqui, poucas pessoas são tão antipáticas como em Canberra. O povo de Canberra é doente, tem uma doença muito feia. E, pasmem, até os australianos de Sydney são diferentes!

Em Canberra, se você cruza com as pessoas na rua, elas fazem que não notam. Se você sobe no ônibus, a mesma coisa. O motorista às vezes dá bom dia, diz tchau, alguns conversam, outros “cantam”, mas o normal é todo mundo fazer como se os outros não existissem.


Coluna Grega
Nem os seus vizinhos olham pra sua cara. É uma doença muito séria. Antes pensávamos que era por causa da tal privacidade, para eles não invadirem a nossa, e nós não invadirmos a deles, mas hoje sabemos que não é só isso, é paranóia mesmo, é medo, é vergonha, é timidez. Eles nunca sabem o que podem fazer ou não, então optam por não fazerem nada.

Então, para a minha sorte, estou sendo bem tratada em todos os lugares de Sydney, desde os consultórios médicos até as lojinhas e pequenos supermercados. Aliás, quanto mais sofisticado o lugar, pior lhe tratam, é inversamente proporcional.


Deusa grega?
O fato é que neste momento eu tenho um regimento de gregos que me adoram, não perdem a chance de falar comigo normalmente, como se fossem brasileiros, e também me respeitam.

Uma vez eu estava em um super mercado e um cara me pediu uma informação. Depois que dei a informação, ele puxou papo e perguntou se eu era brasileira, simplesmente porque me viu usando uma  sandália com a bandeira do Brasil. Ele não era brasileiro mas disse que adorava o Brasil, e quando terminamos o papo, ele rapidamente me tacou um beijo no rosto, sem eu nunca ter visto ele mais gordo. 


Parece que as pessoas precisam urgente de um abraço ou um beijo, ao ponto de não se segurarem quando sabem que somos brasileiras e conosco não tem estes problemas irritantes de “não me toque” (“don't touch me”). Vai ver ele já teve contato com outras brasileiras e sabia que não ia ofender com aquilo. Mas, lógico, o cara não sabe que é preciso um pouquinho mais de intimidade pra começar dando beijinhos. Ele pensa que é assim. Okay, não faz mal.

Abraços gratuitos... brincadeirinha!
E por falar em abraços, isto foi o que a minha filha decidiu fazer junto com dois amigos no meio da rua, oferecer “free hugs” (abraços gratuitos). Eles colocaram uma placa na frente da roupa e saíram da escola até o caminho do ônibus, cerca de 2km, distribuindo abraços grátis.

Abraços gratuitos... brincadeirinha também!

Ela e seus amigos então abraçaram muita gente na rua, e ela contando é que foi um sarro. Um negrão americano agarrou-la e apertou muito, todo efusivo. Senhoras e senhores muitas vezes diziam “você salvou meu dia, faz tempo que não abraço ninguém assim”. Outros mudavam de direção, e haviam até aqueles que diziam palavrões, xingando. Os homens adoravam abraçar ela, é claro, mas também abraçavam seus amigos. As mulheres abraçavam muito menos, e que as mulheres daqui tem alguma coisa acontecendo com elas, não são normais.

Deusa greguinha
Vocês devem saber que esta idéia tem sido usada no mundo inteiro. No Brasil, todo mundo já gosta de se abraçar, a não ser em São Paulo, terra de gente neurótica. Ou Brasília, que se acha primeiro mundo, que não faz parte do Brasil.

Mas eu admirei a coragem da minha filha, que sempre foi tão tímida. Está se soltando aqui nesta cidade, minha gente. Espero que tudo dê certo com ela, cruzem os dedos! Ela está amadurecendo.

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