quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Café Amargo Demais
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| Martin Place, centro financeiro de Sydney |
Nem bem eu inventei de falar dos cafés na
Austrália e acontece uma destas.
Um maluco qualquer inventa de invadir um café
dos mais representativos de Sydney, o Lindt Chocolat Café na praça Martin
Place, colado com o Banco Central, no coração financeiro da cidade, na frente
do Canal 7 de TV, perto de escritórios dos maiores bancos do mundo, escritório
do primeiro ministro, consulado dos Estados Unidos, providencialmente, e até o
escritório do Itamaraty, pra fazer 15 réfens de pessoas de profissões de nível
como a advogada mãe de 3 filhos que acabou morta numa via-crucis de mais de 17
horas, das 10 da manhã da segunda-feira dia 15/12/2014 até 3 da manhã do dia
seguinte, junto com o gerente da loja e o próprio sequestrador, todos mortos,
causando um bafafá desgraçado na cidade que ainda não parou de falar
exclusivamente sobre o assunto em todas as redes de notícias possíveis durante
3 dias.
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| Lyndt Chocolat Cafe. Apesar de eu adorar a marca de chocolates Lyndt suiça, nunca fui a este café... |
O café (ou cafeteria) é praticamente uma
instituição da burguesia australiana, símbolo de sua sociedade. Já que Sydney
não tem duas torres monstrengas odiadas de mais de 100 andares no centro como
Nova York e nem tem ônibus vermelhos como em Londres, ou uma corrida de Boston
(que na realidade tem), acabar com a Ópera House ou a Harbor Bridge ia ser
demais, então o terrorista resolveu atacar um símbolo de estimação da sociedade
australiana para que eles nunca mais se esquecessem e passassem a não se
considerarem mais seguros no centro financeiro da cidade, equivalente ao World
Trade Center de Nova Iorque onde cairam aqueles prédios imensos abatidos
por dois aviões no náine-eléven. Como um brasileiro falou numa entrevista
durante o ocorrido, ele disse que Sydney era muito segura, e o repórter
retrucou, segura desse jeito? Daí o repórter perguntou a quanto tempo ele vivia
em Sydney. Resposta, uma semana. Estou aqui para passar um mês de férias.
Pontinhos...
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| Calçadão de pedestres em Martin Place, antes da tragédia |
O terrorista não tinha absolutamente ligação
com nenhum movimento islâmico, assim como todos os outros protagonistas dos
atentados naquelas cidades mencionadas acima, que acabaram morrendo para não
terem como contar história. Ele se chamava Man Haron Monis, nascido Manteghi
Bourjerdi, estava em liberdade sob fiança por mais de 40 crimes de agressão,
tinha 49 anos, dizia-se pregador do Estado Islâmico (EI) mas pediu uma bandeira
do EI para a polícia porque ele não tinha (!) e era um iraniano que imigrou pra
Austrália em 1996. O xeique Haron, como era conhecido o "curandeiro
espiritual", flertava com o perigo e a criminalidade, tendo a mulher sido
assassinada e ele enviado cartas de ódio contra as tropas australianas no
Afeganistão. Um desequilibrado mental que jamais deveria ter sido deixado solto
nas ruas, segundo declaracão do primeiro ministro Abott. No dia anterior havia
tido uma batida policial num bairro que concentra imigrantes do oriente médio
onde prenderam um homem suspeito de estar envolvido nas ameacas que andaram
fazendo nas últimas semanas dizendo que iam decapitar membros da populacão de
Sydney no centro da cidade.
| Cernário do filme The Matrix, em Martin Place, anos atrás |
O café foi cercado por 70 homens, dentre eles
o que chamaram de os mais inteligentes negociadores de sequestro no mundo. Não
funcionou, não sei se porque são incompetentes, ou se era para dar naquele
final espalhafatoso mesmo, pois nunca se sabe quais as artimanhas que os
governos imperialistas são capazes de fazer hoje em dia para manterem a
hegemonia e o poder no mundo.
Pelo barulho das rajadas absurdas das
centenas de balas que parecia filme de Holywood, os reféns podem ter sido
mortos mais pela polícia do que pelo perturbado mental claramente com problemas
psicológicos e provavelmente solto nas ruas a fim de executar seu plano, guiado
sabe-se lá por quem.
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| Prédio do banco do Commonwealth em Martin Place |
Ou seja, tudo parece mais uma enorme armação
que, para ser divulgada no exterior, para consubstanciar cada vez mais as
medidas de repressão popular e chocar o bastante, e para isso é preciso deixar
vítimas. E o jeito para nós, pessoas comuns, é apelar para Deus nos proteger,
porque nunca saberemos quando um cara destes vai se atravessar na nossa frente.
A notícia espalhada por ele de que tem 2 ou 4 bombas em Sydney é uma maravilha
para manter todo mundo em pânico.
Alguns reféns conseguiram enviar mensagens
para parentes ou até colocar mensagens no Facebook durante o sequestro mas a
polícia falou para eles não fazerem isso, é claro, pois assim eles podem contar
coisas que não devem. Do lado de fora, pessoas tiravam fotografias
"selfies" delas próprias em frente ao prédio da cafeteria, sorrindo e
enfurecendo participantes do Twitter ao verem suas publicacões. Ora, Obama pode tirar "selfie" em velório, por que nós não, diriam elas.
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| Preparação do Natal 2014 em Martin Place, antes da tragédia e agora mais do que nunca, um lugar de confraternização para orações de esperança, paz e amor nesta cidade que era segura |
Se meu marido soubesse que eu tinha ido para
um café cercado por 70 homens, ele se tornaria muslim, me daria uma paulada na
cabeca, me cobriria com uma burca (roupa que cobre o corpo inteiro) e me levaria para a caverna.
Brincadeiras à parte que é para não bater depressão, mas a coisa é séria. Pelo menos no Brasil não há possibilidade de você ser degolada (terroristas prometeram decapitar membros do público australiano).
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| Martin Place tornou-se um mar de rosas depositadas por quem ali reside ou trabalha |
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| Domo sobre o prédio do banco do Commonwealth em Martin Place, número 50, prédio construído de 1925 a 1928. Não é um restaurante, não é um salão de bailes para reveillon de ricos como qualquer brasileiro pensaria, é apenas um telhado de vidro para prover luz natural no centro do prédio. Veja seu interior luxuoso e elevadores de vidro neste vídeo (clique no link abaixo). https://www.youtube.com/watch?v=vH6EZxpXFMY |
Quer um Café?
Já falei aqui que alguns costumes que trazemos do Brasil quando vivemos em outros países como a Austrália nos fazem sentir-nos um pouco incomodadas porque não sabemos exatamente como é que os nativos do país fazem.
Higiene
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| Café ou chá com bolinhos, foto da Cantina Vettorazzi em Criciúma, Santa Catarina http://www.cantinavettorazzi.com.br/ |
Um exemplo disso é a nossa verdadeira mania brasileira de trazer todo mundo para nossa casa com a desculpa de oferecer um café que acaba sendo um lanche especial ou coisa assim.
Aqui a coisa não é assim, aliás, é totalmente ao contrário, quando se convida para um cafezinho, é em um café (cafeteria ou cantina) mesmo, pois ninguém gosta de receber pessoas em casa, e quando recebe, é um trabalho muito grande que eles tem para arrumar o lugar para receberem, isto sem falar em preparar realmente só um café para a pessoa sem oferecer mais nada.
Várias vezes já entramos na casa de australianos tendo que pular por cima das coisas esparramadas, principalmente quando pegamos eles de supetão. Tem cachorros dentro de casa em cima dos sofas, roupas espalhadas pelo chão, guarda-roupas abertos e camas desfeitas. Se a casa é assim, imagina a garagem que para eles não é lugar de carro e sim de tralhas. A gararem é o local onde jogam tudo o que foi substituído, estando velho ou não. Elas ficam tão abarrotadas que obviamente não cabem mais os carros. Ontem meu marido deu carona para o chefe dele que exclamou, "mas que carro limpo", só para dar um exemplo.
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| Teia de aranha nos espelhos dos carros é normal |
Sinceramente, não sei como o povo vive desse jeito nesse país, eu, com minha mania de limpeza e organização, como diz meu marido. É costume entrar na cozinha e bater-se com as pias todas cheias de pratos e panelas pra lavar. Se você se atrever a abrir a máquina de lavar pratos, prepare-se para saltarem morcegos, gatos e cachorros. Teias de aranha nem se fala, elas estão até nos espelhos externos dos carros com os donos dirigindo na rua. Matagal? Acostume-se pois é bom pra se esconder das visitas inesperadas.
Quando fazem festas, eles reservam um único lugar para aquilo. Você muitas vezes entra pelo portão lateral e vai direto para a pergola no quintal onde estão todos instalados, churrasqueira principalmente. Você mal entra em casa, a não ser quando precisa ir ao toalete, e é nessa hora que você “vê” o estilo de vida deles, caso eles tenham esquecido alguma porta aberta.
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| Pérgola no quintal. Pode ser muito bonito e parecer agradável, mas o problema são os costumes... |
Toalete é uma pequena caixinha que só cabe você. Se você abrir as asas, bate nas paredes. Para abrir a porta é preciso recuar e quase cair sentado de novo no toalete. Dalí você sai e entra na porta contígua que é a do banheiro. Lá tem pia, chuveiro, e geralmente uma banheira.
Quer dizer, tudo o que você fizer no toalete, vai impregnar duas maçanetas. Depois de lavar suas mãos, certamente você não vai sair limpando as maçanetas por onde passou. Quem vai limpar são as mãos do próximo ocupante do toalete. Agora imagine a situação das mulheres em seus períodos...
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| Panelas sujas o dia inteiro |
São tantos os exemplos de falta de higiene que, quando alguém se atreve a dizer que fica feliz de voltar de viagem na Europa quando chega em casa na Austrália porque “é tudo tão limpo”, dá vontade de esfregar a cara da pessoa nas calçadas pra elas comerem os chicletes pretos infalíveis.
Estacionamento de shoppings e prédios, jamais são lavados, varridos ou dedetizados. A sujeira é evidente nos lugares mais sofisticados, mas parece que ninguém enxerga, só eu. Até meu marido consegue enxergar.
Café
Agora prestem atencão nesta reportagem da revista GoodWeekend do jornal The Sydney Morning Herald de 6 de dezembro de 2014 sobre a cultura do café na Austrália.
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| Recebendo em casa |
Comecei falando sobre as diferenças de costumes me referindo a que quase nunca me dou bem quando convido alguém para visitar-me na minha casa, louca para oferecer cafezinho e bolinhos como todos estamos acostumados no Brasil, num ambiente aconchegante, descontraído, em que podemos conversar sem hora para terminar.
Mas que nada, isso nunca dá certo, com algumas raríssimas excessões. O costume daqui é marcar encontro num café.
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| O Sideways Deli Cafe, um dos que vivem sempre lotados. Pessoas costumam fazer fila do lado de fora, esperando mesa. Por trás desta fachada tombada tem um grande apartamento moderno. |
Ora, a gente tem café tão facilmente no Brasil e em toda parte dele que nem sequer presta atenção no que significa um café conforme o povo conhece por aqui, ir a um café por ai já passa a ser mais por luxo, um encontro casual. No Brasil, os cafés funcionam também no estilo lanchonetes em que você vai para passar um tempo conversando enquanto experimenta algum bolinho ou salgadinho com um café sofisticado ou até mesmo um milk shake de café.
Mas aqui a cultura dos cafés é muito mais do que isso. Primeiro parece que vira religião. Certas pessoas passam a ser freguesas do mesmo café até surgir outro mais moderno na região, porque fidelidade não é exatamente uma virtude do australiano. Ele parece mais com prostituta, sai com aquele que dá mais sem nem olhar pra trás.
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| Sideways Deli Cafe, no inner-west de Sydney (Oeste central) que ganhou prêmio de melhor café, como se pode ver na faixa vermelha, numa hora de pouco movimento |
Então, se você quer conversar com alguém, tem que marcar um café num café.
O grande problema dos cafés para mim não são propriamente os preços exorbitantes por bolinhos aguados e bate-entopes, é que você tem hora marcada para conversar. Enquanto seu café durar, você pode continuar conversando, mas daqui a pouco, ou você se empanturra mais de café e gasta mais, ou você só vai continuar sua conversa na próxima semana, caso haja outro convite para outro café, senão, nunca mais.
Ora, o que é uma conversa de meia hora de café? Nada. É conversa superficial. Mas não tem nada que agrade mais o australiano do que uma conversa superficial, simplesmente porque eles são todos superficiais. O pouco que eles avançam o sinal, logo retornam, se recolhem, e desaparecem por um tempo. Quando lhe reencontram, convidam para um café de novo, começando assim: como é mesmo o seu nome?
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| Tentando enxergar por baixo da superfície... |
Para vocês não dizerem que sou uma mentirosa insatisfeita e invejosa, veja o que escreveu esta repórter a seguir, a qual não é brasileira.
Três regras de cafés que todos nós devemos concordar
Lisa Pryor
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| Le petit dejeuner (breakfast ou caf'é da manhã) com café e croissant numa mesa de um café em Paris. Sinceramente, não troco pela minha casa ou a casa de uma amiga. Foto de Katharine Andriotis. |
Quando se trata de cafés, certas regras são impostas. A indústria dos cafés tem estado quase completamente de acordo com a moda de que cada reforma num café deve agora incluir tijolinhos expostos, madeira bruta, telhas de metrô e toques em preto e branco.
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| Cachorro em café próximo à torre Galata em Istambul, Turquia |
Como uma das piores clientes de café do mundo, estou realmente em posição de falar sobre este assunto. Ou eu apareço cheia de crianças pequenas pra ficar muito tempo, ou chego com um laptop e permaneço além da conta.
Mas existem algumas regras de café as quais proponho e acho que todos poderíamos concordar:
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| Laptop ao ar livre no Brasil? Não pensem que aqui é comum também não |
- Você não pode se queixar do tempo que leva para conseguir uma mesa quando você foi quem escolheu ir a um café no fim de semana depois que ele ganhou um prêmio e quando há uma dúzia de outros cafés a dois minutos a pé, que estão metade vazios, com os proprietários chorando sobre seus leites derramados, ou melhor, seus cafés ligeiramente torrados esperando por clientes.
- Quanto aos laptops, livros e romances, você pode ficar lendo e escrevendo enquanto tiver um centímetro de café em sua xícara, ou mais importante ainda, até quando a xícara estiver cheia novamente. Mas uma vez que o local esteja cheio, você está ocupando um lugar que pode ser tomado por um cliente que vai realmente comprar alguma coisa. Até então você estará fazendo um favor ao negócio, fazendo-o não parecer completamente impopular.
- Pare de reclamar que os cafés são barulhentos. Cafés são um ponto de encontro onde a comunidade se reúne para ficar chateada com as outras pessoas e meter o cacete nelas. Reclamar dos outros clientes, julgar seus vestuários, suas maneiras de criar, seus animais de estimação e suas barbas não é o que estraga um café, mas o que é bom do café, de modo que você deve aproveitar também.
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| Conversa num café em Provença, Itália |
Então é isso, né? Esse povo tão bem comportadinho baixa o sarrafo nos outros com a cara mais lisa do mundo, em que você olha para eles e lhes parece que todos são tão amáveis, simpáticos, tolerantes e agradáveis, quando por dentro eles estão fervendo, enquanto seus olhares entre si, se batessem no seu com mesma intensidade, lhe fulminariam alí mesmo.
Pois bem, agora eu sou chique e sou convidada para tomar café num café de vez em quando. Mas, sinceramente, eu preferiria ficar muito mais à vontade na casa de cada uma ao invés de submeter-me às críticas de quem não tem o que fazer na vida.
Ah, então é assim, a alma do café é justamente arrasar com os outros? Nisso eu sou mestra, minha filha, vamos lá.
No artigo ainda faltaram outros aspectos com relação a cafés aqui na Austrália.
Ah, então é assim, a alma do café é justamente arrasar com os outros? Nisso eu sou mestra, minha filha, vamos lá.
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| Fila para o primeiro café gato (Cat Cafe) em Nova Iorque |
Primeiro, muita gente só toma café da manhã em cafés. Então elas reservam uma hora para isso, a fim de comerem bolinhos sem graça com enormes cafés em potes chamados "mugs", que são canecas. Elas enfrentam filas por causa disso e não se cansam. Aqui ninguém conhece nosso famoso cafezinho preto, o que muito estrangeiro elogia por ser a forma mais esperta de tomar café no mundo. Aqui você tem que passar meia hora só escolhendo o tipo de café que você está a fim de tomar daquela vez, coisa que todo mundo deve adorar, ou então pede sempre a mesma coisa, geralmente com leite, o que é uma refeição em si.
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| 7 pacotinhos de açúcar |
Quer apavorar o povo daqui? Diga que você cresceu no Brasil tomando café de manhã e de noite na casa dos seus pais desde que era criança. Quer que eles lhe julguem um esbanjador e perdulário, diga que toma banho duas vezes por dia. Quer que eles lhe julguem pernóstico e metido a superior, mostre a sua casa arrumadinha. Você não é "normal" para os padrões australianos...
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Ginástica Caótica
O Caos
Primeiro o caos porque nesta cidade de Sydney chove demais, minha gente. É de dar nos nervos.
Veja fotos de exemplo aqui nesta reportagem do Daily Telegraph para ter uma noção, estilo filme Armagedom: Espetacular Tsunami de Nuvens Rola Sobre Sydney (Marco de 2014):
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| Tempestades em Sydney são comuns |
Nesta terca-feira houve um ciclone tropical, ventos de 160km/hora, e chuvas que alagaram meia cidade, com pedras de granizo de 20cm caindo nas montanhas azuis (Blue Mountains). Choveu torrencialmente durante a noite toda até o meio da quarta-feira. Muitos trens pararam por causa de inundações e houve cerca de 1300 chamados de bombeiros para evacuar pessoas de suas residências ou presas em seus carros.
Veja aqui algumas fotos do caos de terça-feira 14/10/2014: As Tormentas dos Infernos na Primavera: Raios, 20cm de Neve e Aeroporto de Sydney e Túnel do Porto Inundados... Cenas Dramáticas de Quando o Tempo Mudou no Estado de Nova Gales do Sul e Causou Caos nos Transportes:
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| Granizo do tamanho de uma macadâmia nas Montanhas Azuis |
E eu achei de sair num dia caótico daqueles para ir à cidade visitar uma amiga. Aliás, esta não é a primeira vez que enfrento um caos quando visito esta amiga, como já contei em outros posts. Peguei o ônibus e quando ele chegou na metade do caminho, o tráfego foi apertando até que, ao chegar na frente da prefeitura, o motorista parou e mandou todo mundo descer. Ora, meu senhor, por quê? Desça já. O que está acontecendo? Última parada, desça!
Que cara mais grosso! Mas isto não é novidade, a maioria dos motoristas são rudes aqui em Sydney, acho que eles vivem muito estressados com este trânsito caótico desta cidade. Eu vinha muito descontraída escutando minhas músicas no meu MP3, me lembro de ter visto qualquer coisa anunciada na rua em letras luminosas, algo assim como um "exercício de emergência" que estavam fazendo no centro, e provavelmente por isso o motorista decidiu que aquela era a última parada do ônibus e todo mundo que se danasse.
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| A rede caótica de ônibus em Sydney |
Resultado, tive que andar a pé por várias quadras até chegar à casa da minha amiga e ainda bem que só chovia pouco nesta hora. Não vi nada, não vi emergência nenhuma, mas vi alguns ônibus de outras linhas circulando com 1 ou 2 pessoas dentro. Mas que raios está acontecendo nesta cidade, minha gente? Ninguém sabia de nada. É assim que você vive nestas cidades de "primeiro mundo", você não vale um vintém. Acontece de tudo e você é a última a saber.
Minha amiga chegou mais tarde, totalmente encharcada de chuva. Começaram as tempestades e decidi que era melhor ir embora, pois estava mesmo perto de um belo temporal. Quando resolvi ir embora, ela quis me deixar em casa de carro e colocou o cachorro na mala da perua, como sempre. Mas vocês não imaginam o que ia acontecer. Quando ela pegou uma auto-pista cheia de viadutos, o trânsito parou de novo e ninguém andava e não tínhamos uma saída para nos livramos mais dali. Não havia ruas para sair, tinha que seguir em frente ou pular da ponte. E lá ficamos nós por muito tempo fazendo nada.
O cachorro dela está muito velhinho, e começou a se espranaviar com a situação. Daí a pouco ele começou a uivar, e depois a latir bem muito dentro do carro, coisa que não faz nunca. Eu não podia sair para ajeitá-lo lá atrás, então resolvi pular pelos bancos, e fui tentar acalmá-lo, foi quando ele melhorou um pouco, pois comecei a afagá-lo e tranquilizá-lo, dizendo que não tinha perigo, era só uma enxurradazinha, que ia passar logo, “it’ll be okay”!
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| Foto de Andrew Denny publicada no Daily Mail |
Não chegamos a ver enxurrada nenhuma até ali por sorte, acabamos por encontrar uma rua e saímos por ela, mas o cachorro continuava chorando e ela ficou preocupada de voltar com ele sozinho com aquele temporal todo depois que me deixasse. Então retornamos da metade do caminho para a casa dela novamente para deixá-lo pois ele estava muito estressado e ela também.
Voltamos novamente em direção à minha casa, mas desta vez ela resolveu ir por outro caminho, aonde esbarrávamos com bombeiros desarvorados para todo lado, mas finalmente cheguei em casa sã e salva, foi quando vi na TV o que estava acontecendo. Graças a Deus nada atingiu nosso condomínio, mas houve muitos casos malucos como o vento carregando carros por cima de cercas e jogando eles dentro de canais, de pernas pro ar. Depois de 1 dia inteiro, ainda haviam muitas casas sem energia elétrica.
E o que tem a ver este caos com a ginástica?
Nada, foram apenas dois assuntos para um post só.
O Gym
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| A maldita cera brasileira Brazilian Wax que, antes de Lula e Dilma, representava o Brazil no exterior |
Elas falavam sobre a Brazilian Wax, que é um processo muito conhecido no mundo inteiro afluente. Antes do Brasil ser colocado na agenda mundial, as únicas coisas que lembravam Brasil no exterior era copa do mundo de futebol, carnaval e Brazilian Wax.
Trata-se de fazer depilação com cera, na parte íntima das mulheres deixando-as lisas como uma jia. A certo ponto resolvi virar pra elas e falar que aquilo não tinha nada de brasileiro, porque as brasileiras mesmo não faziam aquilo. Mas como, o que você está dizendo? Pois é, minhas filhas, eu sou brasileira e mulher brasileira não faz Brazilian Wax, como se conhece aqui fora para este tipo de depilação exclusiva. Não conheço ninguém na minha familia que é enorme e nem minhas amigas, nenhuma delas jamais fez. No Brasil quem faz isso é p...
O que? Não me diga. Digo sim, e digo mais, isso deve ter sido moda trazida pelas primeiras p... que emigraram para os Estados Unidos e como não tinham qualificacão pra trabalho, inventaram essa e o povo engoliu. E mais, lá no Brasil as mulheres também não usam este fio dental que as australianas usam, a não ser na praia e olhe lá. Estes fios dentais são muito anti-higiênicos e incomodam muito, e também não é aprovado pelos ginecologistas.
Meu Deus, não sabíamos disso e nem jamais desconfiaríamos se você não nos tivesse dito.
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| Jia, rã ou perereca |
Meu Deus, não sabíamos disso e nem jamais desconfiaríamos se você não nos tivesse dito.
Passou-se, e num outro dia, lá está outro grupo de mulheres falando sobre Brasil de novo à minha revelia. Fiquei escutando, e desta vez era sobre a b... brasileira. A b... que toda mulher sonha em ter, e que a brasileira tem, o que elas acham que é conseguido por intermédio de exercícios físicos. Bem, fora a genética, os exercícios podem realmente "fazer alguma coisa" pra "levantar" os traseiros da mulherada. Estes exercícios aqui são conhecidos como Brazilian butt (exercícios para bumbum brasileiro) Mundo afora, muitas mulheres só falam nas academias, querem porque querem ter as b... das brasileiras, nem que para isso tenham que fazer cirurgia.
A treinadora então tentava ensinar ao mulherio como era fazer os tais exercícios, quando uma tentou um pouco e disse, ah, mas isso é muito pesado e difícil. A treinadora então disse, tem que pegar no pesado, olha aí, vocês não querem ficar iguais a Tatá? Ela é brasileira.
Vergonha eu não tive, mas não deixou de me pegar de surpresa saber que havia alguém por ali observando minha estética física com tanta atencão. A treinadora então explicou pra elas que o que fazia a b... ressaltar era mais a postura "selada" e os exercícios eram para acostumar as mulheres a se postarem assim. Fiquei na minha, pra certas pessoas não vai ter jeito, e é preciso um pouco de genética sim.
A treinadora então passou a implicar com algumas senhoras meio gordinhas dizendo que elas tinham que parar de comer tanto e fazerem mais ginástica. Uma disse que já não era mais tão jovem quando eu virei de lado de mansinho e falei, eu não sou tão jovem assim quando você pensa não. Foi quando ela disse a idade dela e eu disse que era só dois anos mais nova. Ela se escandalizou, o quê? E perguntou como era possível. Eu disse que provavelmente era porque eu fazia ginástica desde criança, quando comecei no balé. Então falou que não ia falar mais nada dali pra frente.
Neste mesmo dia, após nossa aula de fitball, quando foi mais tarde, aparentemente salvou-se uma alma naquele dia. Outra senhora a qual eu conhecia já a bastante tempo mas que só trocava "bons dias" veio pra mim a fim de puxar papo. E danou-se a me fazer perguntas, e eu respondendo. Como é que eu vivia, o que tinha feito, se já tinha trabalhado, como era minha vida na Austrália, onde estavam meus filhos. Depois de ouvir todas as respostas ela me deu um abraco bem forte e disse: você é um exemplo inspiracional.
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| O que as australianas querem, ficarem iguais a Cláudia Alende, oncurso anual Miss Bum Bum, a acontecer no dia 7 de novembro de 2014. |
Caí do cavalo, mas confesso, ganhei meu dia. É muito bom você saber quando alguém lhe dá valor. Ela disse que o povo costumava tratar mal os imigrantes mas nem sonhavam com o pão que o diabo amassou que eles comiam para viver num país de língua diferente e que não valoriza a experiência que você trouxe de seu país.
Eu disse que, quando mudei de Canberra pra Sydney, me senti um pouco melhor, e quando descobri aquela academia, então melhorou muito, porque é algo que gosto de fazer, e faco todo santo dia. Nem psicologo tenho mais. A academia agora está ficando muito mais sociável, e segundo uma das treinadoras, é por minha causa que procura falar com todo mundo sem distinção dando exemplo para muitas pessoas ali.
Eu disse que, quando mudei de Canberra pra Sydney, me senti um pouco melhor, e quando descobri aquela academia, então melhorou muito, porque é algo que gosto de fazer, e faco todo santo dia. Nem psicologo tenho mais. A academia agora está ficando muito mais sociável, e segundo uma das treinadoras, é por minha causa que procura falar com todo mundo sem distinção dando exemplo para muitas pessoas ali.
Aquela senhora ainda havia dito, você morou em Canberra, com a boca torta? Sim senhora, mas lá eu não tinha nada pra fazer, portanto era um horror. Frequentamos 1 ano de ginástica, eu e meu marido, mas a coisa era tão parada, e tinha-se que pagar até para o treinador dar uma simples instrucão, que quando cumprimos o ano obrigatório contratado, sumimos do mapa para nunca mais voltarmos. Beleza não põe mesa, e aquelas instalacões tão maravilhosas e milionárias não valiam um vintém por não haver pessoas com calor humano e pela mesquinheza deles.
E ainda há quem eleja Canberra como a melhor cidade do mundo pra se viver. Que Deus me livre e guarde.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
A Rainha da Academia do Bairro
Quem diria, eu me tornando uma pessoa popular aqui na
Austrália, mesmo que sendo apenas numa academia de ginástica.
Como já é do conhecimento dos seguidores deste blog, tenho
falado muito ultimamente da academia aonde pratico vários tipos de exercícios.
Isso porque esta e a única coisa que encontrei aqui em Sydney que me faz bem,
me dá prazer e me satisfaz. Indo lá diariamente, vez por outra tenho estórias
para contar.
Rainha da Popularidade
Ontem, por exemplo, fui eleita a rainha da
popularidade, a ginasta mais popular do bairro por uma das
instrutoras da academia. Ela disse que eu era a única que falava com todo
mundo lá. Sua conclusão foi por observação própria mas também porque eu sempre tenho
algo a dizer sobre cada uma das outras frequentadoras, informações obtidas
delas próprias. Mesmo as mais arredias, as mais trancadas, as maiores
psicóticas sociais, ainda assim consigo arrancar alguma coisa.
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| Meu cetro |
Ela então
me disse que, se todas fossem iguais a mim, popular, a academia seria bem mais
agradável e descontraída. Daí falei para ela, é que sou brasileira, my dear, e com muito
orgulho. Orgulho principalmente porque tenho a capacidade de falar com
todo mundo, mesmo com as pessoas de cara entufada que acabam amolecendo e
dando um sorriso. Capacidade que as australianas não tem.
Aí ela me perguntou, você fala com todo mundo, não é? Respondi:
Só com quem deixa.
Vi você acenando até pra uma frequentadora lá do outro
lado. Aquela dali quase não fala com ninguém.
Ah, é que ela caiu da esteira esta semana e
eu fui ajudá-la e perguntar se ela estava bem, daí ela passou a falar
comigo. Ela disse que fechou os olhos para pensar em algo justamente quando
acelerou a máquina para correr, daí estatelou-se lá embaixo e machucou a
perna.
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| Coroa para coroa |
Já a uma outra, de pouca conversa, que estava a mancar,
perguntei o que ela tinha e ela me disse que não conseguia
fazer certos exercícios mas não queria perguntar à dona da academia como fazer
porque ela não lhe dava muita atenção. Daí eu lhe disse que ela era assim
mesmo, que eu tinha o mesmo problema com relação a ela. Justo a dona da
academia, que deveria nos dar toda atenção necessária, não o faz. Na
realidade, a atenção dela é dada exclusivamente para um número mínimo de pessoas que
pagam por fora para terem uma “personal trainer”.
Já as instrutoras são super atenciosas, como já falei
noutras ocasiões. Elas estão sempre nos acompanhando de longe quando estamos
fazendo os exercícios, a fim de nos corrigir. Quanto à proprietária, ela fica
atrás do balcão enfiada num copmputador ou conversando o tempo todo no
telefone. Que belo exemplo!
A academia mudou, deixou de ser parte de uma cadeia americana de
franchising que fechou na Austrália inteira, mas por sorte nossa, a tal
dona assumiu por conta própria e trocou de nome, pintou-a de cores
berrantes para tornar diferente, e trocou outras coisas mais, incluindo a
seleção musical, que nem gostei muito porque agora só toca estas músicas
novas repetitivas que enchem o saco, enquanto antes era uma seleção bem variada
que incluia até músicas dos anos 70/80 em remix. A dona da academia é
campeã de halterofilismo... mas não é masculinizada.
Rainha do Fitball
Bom, voltando à minha popularidade na academia,
entenda-se bem, neste final de semana também fui eleita a rainha do fitball.
Uma outra frequentadora da academia, que admira demais a minha desenvoltura nas
bolas, falou que eu fazia tudo com tanta perfeição que não havia ninguém que
chegasse aos meus pés.
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| Até esta senhora fez o "T" de Tatá, mas ela não é da academia |
Rainha da Zumba
Isso sem falar que já sou a rainha da Zumba, em
cujas aulas eu estava chamando muita atenção, mesmo sem querer, como já falei
aqui, de um jeito que até parei de fazer.
Rainha do Bambolê
E para finalizar minha carreira de
rainha até o momento, também sou a rainha do bambolê, eleita por mais outras
ginastas de lá.
Sou tão medonha que a academia acabou extendendo o
horário nos fins de semana para além do que eu havia sugerido. Aos poucos vou
conquistando algumas coisas naquela academia. Quem tem boca vai a Roma...
ou modifica as coisas.
Rainha da Frequência
Se quiserem me dar mais um cetro, faz favor, rainha da
frequência. Sou a única a estar na academia diariamente, faça chuva ou faça
sol, incluindo fins de semana, e também estaria lá nos feriados caso ela não
fechasse.
Atividade física simplesmente me leva a outras
paragens, ao nirvana.
![]() |
| Nirvana |
Mas... com tanta popularidade, porque será que ninguém me adiciona no "fêice"? Será que tenho que ter uma conta?...
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