sábado, 22 de outubro de 2011

Brasil, zil, zil...

No meu primeiro post de apresentação eu prometi que ia falar do Brasil, de como ele tem entrado para o cenário mundial nestes 12 anos em que estivemos fora daí.

Então, outro dia mesmo vi o Brasil na TV australiana de novo, que agora já virou rotina. Desta vez foi no noticiário econômico! Ora, com o mundo inteiro indo pras cucuias, o Brasil desponta também neste cenário. Uma outra pequena reportagem televisionada mostrou Lula recebendo uma comenda de honoris causa na França, tendo sido ele o primeiro latino americano a recebê-la em toda a sua história de 140 anos que só premiou 16 pessoas. Quer dizer, até na Austrália sai Lula recebendo mesuras internacionais, mas mal saiu na TV Globo, apenas numa pequena reportagem de 17 segundos, e também não saiu nada na Folha de São Paulo, não é interessante?

Campanha do orgulho nacional

Quer dizer, agora Brasil está em todas. Até pelo menos dois anos atrás, quando víamos uma reportagem sobre o Brasil na revista inglêsa “The Economist”, ou em outras revistas, ou até nos jornais australianos, comprávamos o exemplar, escaneávamos a reportagem, traduzíamos o texto e enviávamos para nossos amigos e parentes via email, tal era o orgulho de ver nossa pátria sendo citada na imprensa mundial de alto nível. Uma amiga minha até recortava do jornal diário Canberra Times e guardava as reportagens para mim quando eu fosse vê-la.

Agora não fazemos mais isso porque toda semana o “The Economist” tem reportagem sobre o Brasil, e por vezes, mais de uma, e além disso já ficou tão comum que tornou-se impraticável. Já compramos exemplares especiais de outras revistas só sobre o Brasil, em Inglês, e a última revista que compramos foi recentemente, norte-americana.

A capa famosa da revista The Economist

Em comparação com quando viemos para cá até uns 5 anos atrás, naquela época procurávamos tudo sobre o Brasil em toda parte e não conseguíamos ver em lugar nenhum. Parecia que os australianos (ou o mundo) faziam de propósito ao ignorá-lo.

Com a mudan
ça de governo para a oposição (esquerda), primeiro valorizaram o presidente logo por ter sido uma vitória da democracia mundial, do voto popular e pelo Brasil ter um real representante das classes exploradas nacionais. Segundo, foram ficando de olho nas medidas que ele foi tomando, e como viram que o país começava a se sanear e a crescer, começaram a propagar com alegria a entrada de uma futura potência no cenário mundial, algo que todo mundo sempre soube que poderia ocorrer, mas enquanto houvesse mais corrupção política, ele não saia do berço esplêndido.

Novo mapa mundi 2012
O resultado está aí. Eu sei que é muito difícil para muita gente reconhecer e ter que engolir, mas a verdade é que, no cenário mundial, o Brasil mudou muito. Muita coisa agora é divulgada internacionalmente, os milhares de projetos para reduzir as diferenças sociais vergonhosas, e o sucesso deles. O Brasil virou um exemplo em muitas áreas.

E agora com a primeira presidenta na história do país, foi que ele entrou de sola mesmo.

A coroação maior tem sido a conquista da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas, mas isso é só o começo. O Brasil vai mostrar a que veio, e já tem projetos extraordinários em execução que nenhum país será capaz de batê-lo. Isso porque o brasileiro é criativo, e agora está com a bola toda, estão deixando eles criarem, e também adora aparecer e mostrar ao mundo do que é capaz, verdadeiro exibicionista, e cheio de alegria para dar e vender. O mundo precisa disso. Apesar de certas elites nacionais.

O Brasil está na capa do jornal “The Guardian” da primeira semana deste mês de outubro de 2011 por causa da reunião do “Earth EcoSummit” das Nações Unidas, a mesma que aconteceu em 1992 no Rio de Janeiro e que acontecerá de novo em 2012, prometendo o mesmo sucesso da anterior, ou sucesso muito maior.

Tá na hora de mudar este mundo carrancudo e mostrar como é que se faz para viver-se feliz, sem suicídios nem guerras, dando o exemplo dos brasileiros, de como viver-se feliz.  Como Eike Batista disse em recente entrevista a um jornal norte-americano, se depender do Brasil, não haverá guerras, mas choppinhos e carnaval.

Casamentos

E não é que estas mulheres australianas, tão liberadas, ainda casam de branco com véu e grinalda, como se fossem cristãs? A Austrália é basicamente atéia, mas apregoa-se que é cristã. Pasmem. Pior ainda, elas fazem questão de trocar o sobrenome para o do marido. Claro que a vida de todo mundo vira um inferno por causa dos casamentos sequenciais, mas elas não estão nem aí. Deve ser charme usar um sobrenome, descartar, usar outro, e por aí vai… usa e descarta sobrenome como usa e descarta homem.

Os casamentos das australianas nos parecem outro programa de índio. Veja só, é comum a gente ver carrões clássicos, limusines ou carros esportes chamativos com duas fitas brancas amarradas do centro do capô até os lados do pára-brisas denotando que tem casamento por ali. O que parece um cortejo fúnebre com o carro de defunto liderando um ou dois carros atrás, levando o casal de pombinhos. Tem gente que restaura carros antigos só para viver de alugá-los pra casamentos e festas de formatura de estudantes secundários. No caso dos casamentos, é comum você estar visitando lugares de turistas e lá estarem um ou vários casais com alguns padrinhos tirando fotos e mais fotos com fotógrafos profissionais, os carros estacionados mais adiante com os choffeurs esperando. 

Fotos em pontos turísticos (modernweddingblog.com)
Em todo canto você vê essa cena, muito esquisita para nós. Uma vez fomos levar parentes em visita ao porto de Sydney, embaixo da ponte Harbour Bridge, que é um lugar muito pitoresco, porém mais pitoresco ainda foram várias noivas ao mesmo tempo, inclusive uma vestida de vermelho parecendo do tempo dos reis e rainhas medievais, com duas ou três limusines estacionadas uma atrás da outra. Aquilo foi mais interessante para os visitantes do que propriamente a paisagem de Sydney. Bizarro.

Simples Rolls Royce branco com chauffeurs
Imagina você casando e saindo pelo meio da cidade, estacionando e tirando fotos nos pontos turísticos, enrolada naquele vestido caríssimo, arrastando pelas calçadas públicas cheias de cuspe, imagina a cena. Para quem não sabe, caso os australianos possam traduzir meus escritos aqui, no Brasil as pessoas casam geralmente na igreja onde tem bastante lugar pra sentar e uma grande recepção num salão, que pode também ser em suas casas ou buffets chiques e próprios para receber muitas pessoas, então ninguém tem tempo pra sair por aí tirando fotos pitorescas da cidade, que isso fica pra lua-de-mel, deixando seus amigos e familiares com cara de tacho lá na sua recepção, olhando uns pras caras dos outros sem o casal lá. 


Casamento no Zoo
As fotos são tiradas ali mesmo, na igreja ou na recepção. Imagina a corte de amigos e parentes, mais de 100 pessoas indo atrás da noiva, (porque se fosse no Brasil, ninguém ia deixar barato), estacionando dezenas de carros (seria melhor fretar três ônibus) e tirando fotos com o casal no meio dos pontos turísticos da cidade. Nem índio aceitaria este programa...

Casamento no Jardim Botânico

Mas é que as pessoas aqui são solitárias, tem famílias pequenas, e como se não bastasse, são muito econômicas nos convites só para alguns gatos pingados exclusivos, muito chatos que eles são, então um meio de espichar o casamento é sair por aí, desfilando de limusine pela cidade, mesmo que ninguém possa ver você com aqueles vidros pretos. As fotos vão ser inesquecíveis. Difícil falar pois nunca fui num casamento por aqui, mas sei que quase não existem igrejas, e vemos o tempo inteiro estes programas de índio na Austrália inteira, o ano inteiro, faça chuva, faça sol. 

Casamento no "bush" (mato)
Não sei nem porque as pessoas aqui ainda casam porque é um tal de casa-separa, casa-separa. Mas sei que eles adoram casar em taperas, barracos tombados pelo patrimônio histórico, sendo que aqui na Austrália isso significa armazéns onde trabalhadores braçais tiravam a lã dos carneiros no passado, grandes barracos de ferro e lata enferrujada com bancos toscos e repletos das famosas moscas australianas, enormes, que adoram perfume e grudam nas suas costas literalmente. 

Ia esquecendo de falar que tem loja de vestidos de noiva, de confeitar bolos de casamento, de providenciar recepções, em quase toda esquina aqui em Sydney, além de uma dezena de revistas grossas nas bancas sobre noivas, isto sem falar no grande número de websites que incluem fotógrafos especialistas mostrando fotos deslumbrantes, inclusive casamentos reunindo muita gente, mas isto e para pessoas ricas e famosas apenas.


Padrinho de casamento é chamado de “melhor homem” (“best man”) e dama-de-honra é chamada de “empregada da noiva” (“bride maid”).

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Gregos e Troianos

Não se pode agradar a gregos e troianos, mas pelo menos aos gregos eu ando agradando!

Aqui vai mais uma estória das muitas que tem acontecido comigo em Sydney nestes 7 meses apenas em que estou morando por aqui. Bom, para começar, moro num bairro aonde está concentrado o maior número de gregos de Sydney, e como muito de nós sabemos, os homens gregos são, talvez, iguais ou mais fogosos do que os brasileiros.

Hércules grego
E não é que o dono da doceria, um senhor grego muito simpático que conheci numa loja especializada em doces gregos, simpatizou muito comigo desde a primeira vez que me viu? E agora, quando vou à sua loja para pegar alguns docinhos, ele sempre quer me dar uma abraço e quando o faz, não quer me soltar. Coitado, tão carente. Eu permito, mas na realidade fico muito embaraçada, até porque a mulher dele anda por perto. De tanto eu ir lá, ele fez amizade e faz tudo pra me agradar. Por vezes ele super-lota meu container de docinhos, cobrando a mesma coisa.

Sua mulher então começou a estranhar, e uma vez em que ele não estava por lá, ela me atendeu, e passou a sondar quem era eu, o que fazia e tal. Até que, depois das primeiras cismas, ela acabou minha amiga também, e até o meu perfume, que ela dizia ser maravilhoso, ela fez questão de saber qual era e comprou também!


Medéa grega de Victor Zubeldia
Mas o marido dela só me abraça quando ela não está, claro. Ele se aproveita, não é? Ah, e porque não? Que mal faz um abraço? Mas as coisas não ficaram só por aí não, o grego tem um monte de amigos que frequentam sua doceria e eles estão sempre por lá bebericando e fofocando, um bando de coroas aposentados os quais já fui apresentada, e hoje, aonde passo aqui no bairro, tem grego querendo me abraçar e bater um papinho.

Até nisso Sydney é muito mais parecida com o Brasil do que Canberra. Aqui eu voltei a fazer sucesso novamente. No momento eu sou o terror do “inner-west”, é assim que se chama aonde o nosso bairro está situado. Por onde passo, atraio diversos olhares dos senhores gregos, respeitáveis que sabem apreciar o que é bom. Não se trata propriamente das propriedades físicas, trata-se da minha famosa simpatia que agrada a todos. Menos ao povo de Canberra.

Deusa grega, mas não sou eu...

Uma vez em Sydney, voltei a um habitat mais parecido ao em que fui criada. Aqui as pessoas me notam. Mas não são só os senhores maduros gregos ou os coroas donos de Ferraris, são todas as pessoas de todas as cores e raças desta cidade. Aqui, poucas pessoas são tão antipáticas como em Canberra. O povo de Canberra é doente, tem uma doença muito feia. E, pasmem, até os australianos de Sydney são diferentes!

Em Canberra, se você cruza com as pessoas na rua, elas fazem que não notam. Se você sobe no ônibus, a mesma coisa. O motorista às vezes dá bom dia, diz tchau, alguns conversam, outros “cantam”, mas o normal é todo mundo fazer como se os outros não existissem.


Coluna Grega
Nem os seus vizinhos olham pra sua cara. É uma doença muito séria. Antes pensávamos que era por causa da tal privacidade, para eles não invadirem a nossa, e nós não invadirmos a deles, mas hoje sabemos que não é só isso, é paranóia mesmo, é medo, é vergonha, é timidez. Eles nunca sabem o que podem fazer ou não, então optam por não fazerem nada.

Então, para a minha sorte, estou sendo bem tratada em todos os lugares de Sydney, desde os consultórios médicos até as lojinhas e pequenos supermercados. Aliás, quanto mais sofisticado o lugar, pior lhe tratam, é inversamente proporcional.


Deusa grega?
O fato é que neste momento eu tenho um regimento de gregos que me adoram, não perdem a chance de falar comigo normalmente, como se fossem brasileiros, e também me respeitam.

Uma vez eu estava em um super mercado e um cara me pediu uma informação. Depois que dei a informação, ele puxou papo e perguntou se eu era brasileira, simplesmente porque me viu usando uma sandália com a bandeira do Brasil. Ele não era brasileiro mas disse que adorava o Brasil, e quando terminamos o papo, ele rapidamente me tacou um beijo no rosto, sem eu nunca ter visto ele mais gordo. 

Parece que as pessoas precisam urgente de um abraço ou um beijo, ao ponto de não se segurarem quando sabem que somos brasileiras e conosco não tem estes problemas irritantes de “não me toque” (“don't touch me”). Vai ver ele já teve contato com outras brasileiras e sabia que não ia ofender com aquilo. Mas, lógico, o cara não sabe que é preciso um pouquinho mais de intimidade pra começar dando beijinhos. Ele pensa que é assim. Okay, não faz mal.

Abraços gratuitos... brincadeirinha!
E por falar em abraços, isto foi o que a minha filha decidiu fazer junto com dois amigos no meio da rua, oferecer “free hugs” (abraços gratuitos). Eles colocaram uma placa na frente da roupa e saíram da escola até o caminho do ônibus, cerca de 2km, distribuindo abraços grátis.

Abraços gratuitos... brincadeirinha também!

Ela e seus amigos então abraçaram muita gente na rua, e ela contando é que foi um sarro. Um negrão americano agarrou-la e apertou muito, todo efusivo. Senhoras e senhores muitas vezes diziam “você salvou meu dia, faz tempo que não abraço ninguém assim”. Outros mudavam de direção, e haviam até aqueles que diziam palavrões, xingando. Os homens adoravam abraçar ela, é claro, mas também abraçavam seus amigos. As mulheres abraçavam muito menos, e que as mulheres daqui tem alguma coisa acontecendo com elas, não são normais.

Deusa greguinha
Vocês devem saber que esta idéia tem sido usada no mundo inteiro. No Brasil, todo mundo já gosta de se abraçar, a não ser em São Paulo, terra de gente neurótica. Ou Brasília, que se acha primeiro mundo, que não faz parte do Brasil.

Mas eu admirei a coragem da minha filha, que sempre foi tão tímida. Está se soltando aqui nesta cidade, minha gente. Espero que tudo dê certo com ela, cruzem os dedos! Ela está amadurecendo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Crianças?

Passe por cima delas.

São tantos os problemas com crianças aqui na Austrália, sem falar sobre o que já me referi em outro post sobre creches, que resolvi escrever outra vez sobre o assunto.

Piá jogando bola
Só na semama passada, duas crianças de apenas 2 anos morreram porque os pais atropelaram elas com seus próprios carros aqui na Austrália. A primeira, foi morta quando a mãe passou a marcha errada no carro e entrou dentro de casa atingindo o filho e o avô da criança. A segunda, que estava brincando de bola na frente de casa com outra criança, foi atropelada quando a mãe deu ré para sair da garagem e pegou ela.

Cor de rosa
Dias atrás saiu na TV sobre duas crianças de 3 e 4 anos, um casal, que saíram de casa pelos fundos, sozinhas, e atravessaram a linha do trem que passa a alguns metros atrás da casa deles exatamente na hora em que o trem ia passando, cujo maquinista (que não era um robô) freiou mas não deu tempo e ambos estão no hospital com ferimentos sérios. As pessoas dentro do trem tiveram que evacuar sem nem sequer saberem o que estava acontecendo. Notícias mais recentes disseram que e menino não resistiu.

E os casos delas sairem sem ninguém ver e serem encontradas a quilômetros de distância? Semanas atrás, uma criança percorreu quilômetros no frio, e por sorte foi encontrada antes que um predator se aproveitasse da situação para lhe dar sumiço de uma vez, depois de fazer aquilo que todo mundo tem mais medo e que ocorre tão frequentemente.

São 18 casos de atropelamento causados pelos próprios pais, resultando em morte envolvendo crianças só este ano na Austrália. Isto sem falar na morte de crianças por afogamento nas piscinas, as frequentes quedas das varandas e janelas sem proteção nos prédios, tudo isto por puro descuido dos pais, pois sabemos que criança nos cega e que temos que estarmos atentos toda hora. Lógico, considere-se a população total da Austrália que é de quase 22 milhões de pessoas (só isso e é desse jeito!).

Criança morrer em piscina é talvez o caso mais comum seguido pelos pais passando por cima delas com seus carros.

Piscina na prisão
As crianças são deixadas sem atendimento, sem ninguém tomando conta delas, nas piscinas de casa, apesar de todas as piscinas de casas serem cercadas por grades com portões e fechaduras. Adianta alguma coisa estas medidas de segurança? Lá mesmo elas morrem e só são descobertas muito depois, não tendo nem chance de serem ressuscitadas.

Sobre os carros passarem por cimas das crianças, como é que pode ser isso, hein, minha gente? Se você não enxerga atrás do seu carro e tem crianças (ou bichos de estimação), mande alguém ficar vigiando enquanto você sai, ou deixe as crianças sob suas vistas, ou trancadas, até você estar na rua, é ou não é?

Não dá pra ver, né?
Some-se a isso que as crianças pestinhas são frequentemente deixadas à própria sorte, incontroláveis, aprontando no jardim ou no quintal, na entrada da garagem. Pequenas, os pais não enxergam nem elas estando em pé, e passam por cima. Quando vêem, já é tarde. Não deve dar nem pra ouvir os gritos, com os vidros invariavelmente fechados, escuros, ar condicionado, som e tal.

Agora pensem o que acontece com animais de estimação? Animais atropelados são enterrados alí mesmo, no quintal ou no jardim, e ninguém vai nem saber, mas com crianças é um pouquinho mais complicado. Acidentes fatais ou negligência? Ninguém nunca leva pelo lado da negligência...

Então as crianças são criadas por aí à própria sorte. Se elas sobreviverem, sorte delas.

Porém ainda existe mais tipos de descuidos, os de morte de bebês enquanto estão dormindo, mais de 50% se devendo ao fato de dormirem com os pais, como por exemplo, algumas mães as levam para cama para amamentá-las, adormecem e acabam sufocando-as, ou até mesmo casos de casais negligentes que levam as crianças pra cama deles por pura preguiça de dar atendimento a elas e acabam dormindo por cima delas também.

De novo, esse povo daqui é educado, não tem essa de ser por ignorância ou pobreza não. É irresponsabilidade mesmo, negligência. O que vocês acham?

O caso mais famoso da Austrália correu o mundo. Um bebê foi carregado por um dingo (uma espécie de cachorro selvagem que só tem na Austrália, e que se parece com um cachorro comum) que aparentemente comeu-a todinha, literalmente. Essa mãe, que estava acampando no bush, foi processada como assassina, e demorou vários anos pra conseguir provar que o dingo realmente existiu e foi o assassino no lugar dela. Isso aconteceu lá no pé da montanha de Uluru, no centro da Austrália, o maior cartão postal daqui por ser rara uma montanha no meio do deserto.

Dingo lindo, né? Mas não ponha a mão...

Crianças que torram dentro de carros fechados sob o sol enquanto os pais foram fazer algum tipo de compra? Também é comum por aqui. Morrem asfixiadas de tanto calor. Acontece com cachorros também, mas estes, como eu disse, são enterrados em qualquer lugar e ninguém se dá conta, a não ser a RSPCA, uma instituição mantida por voluntários que luta contra a crueldade com animais.

Cachorro quente

Crianças cujos pai ou mãe os mata, principalmente depois de uma separação, e depois mata o cônjuge, e se mata a seguir, ou se matam a si próprios, ou então só matam as crianças? Aqui tem de montão, é lugar comum. É como se eles dissessem, “não pode ser meu, também não vai ser teu”.

Alguma coisa muito séria está acontecendo com as novas gerações australianas... pois que aqui na Austrália, as poucas crianças geradas ainda tem que passar por estas.



domingo, 25 de setembro de 2011

O Show Australiano

Há-se de convir que a Austrália produz shows de alta qualidade.

Não sou de ir a shows, mas os que vemos na TV são de boa qualidade. Os poucos que vimos promovidos pelas escolas primárias e secundárias, também são geralmente muito bons.

Até alguns anos atrás a TV mostrava um grande show feito pelos estudantes que estavam se graduando em artes performáticas a nível secundário chamados “School Spectacular” (“Espetáculo Escolar”) desde 1984. Estes shows tinham qualidade muito boa, mas o que me intrigava por demais era o nível de compromisso que estas “crianças” tinham com o que eu considerava um “simples espetáculo” de televisão. Não sei se ainda é mostrado na TV porém o show continua sendo montado no “Sydney Entertainment Centre” (Centro de Entretenimento de Sydney). 


Cartaz do Show dos Estudantes de Artes Performáticas em 2008
Okay, para eles é crucial. Trata-se de provavelmente a primeira aparição pública deles, mas o que mais me impressiona também é o número de adolescentes desejando entrar para este mundo de fantasia. Tenho a impressão de que seria muito mais importante eles se interessarem por “profissões de verdade”, como médicos, engenheiros e tal. Me intriga como é que pode haver tantos estudantes estudando simplesmente “arte” e tantos envolvidos nestes shows.

Show Anual dos Estudantes

Havemos de convir que estes estudantes, que são centenas em cada show anual, são escolhidos entre os melhores de todas as escolas que ensinam “artes”. O interessante é que os estudantes que escolhem fazer “artes”, geralmente são aqueles que não querem nada com a vida. “Artes” é a matéria escolhida por falta de outra, o “default” (escolha por
omissão).

Há de se convir também que o trabalho final fica muito bom porque quem monta, coreografa e dirige, com certeza
são pessoas experts, que sabem usar o talento de cada um pra montar um show com várias partes, desde peças musicais, ballets, até música com cantores e instrumentistas, todos estudantes. Se um estudante mostra-se especialista em cantar, provavelmente lidera uma cena musical em que ele ou ela é o astro. Nisso entra até cantor de ópera “mirim”. Um instrumentista fora de série recebe uma peça só dele, com outros acompanhando. Um estudante que já havia formado uma banda, tem chance de mostrar seu trabalho, cercado de bailarinos. E para a maioria, ela é jogada nos figurantes, dançando, fazendo número, cantando em coral, correndo de um lado pra outro, estas coisas.


Aspirantes à fama
No fim fica um espetáculo de nível excelente, considerado no Guinness Book of Records como o maior show de variedades do mundo. O “School Spectacular” é um concerto envolvendo 3.000 estudantes de 300 escolas do estado de Nova Gales do Sul (New South Wales, NSW). Nos programas “School Spectacular”, não há jurados, são apenas para mostrar o trabalho dos estudantes.

A um tempo atrás, a TV inventou alguns programas ao vivo, melhores do que os surrados e polêmicos ‘big brothers”. Estes programas, por exemplo, elegem o “Australian Idol” (ídolo australiano) do ano, e tem versões norte-americana e inglesa também. Este programa lançou muitos artistas de alta qualidade ao longo dos anos, mas tambem provocou polêmicas demais, quando os jurados passaram a agir como que “comprados”, devido aos seus votos equivocados.


Versão australiana do programa inglês e norte-americano
A outra polêmica foi que era o povo quem votava e ajudava os jurados a elegerem os “melhores”, mas isso fez com que excelentes futuros profissionais fossem barrados pelos mais diversos motivos, como idade, aparência, cor, raça, nacionalidade, ou até uma resposta desaforada a uma crítica ridícula de um jurado, porque quem mais votava eram aquelas fãs desmioladas que gritam e compram revistas de fofocas com celebridades, então elas votavam em homens por causa da aparência, ou em alguma garota como elas. Eram votos dados através de telefone. Nós, telespectadores, passamos a ficar tão ultrajados, que desligávamos a TV quando o primeiro excelente candidato ia pra forca. E não mais assistíamos àquela série.

Outras vezes as fãs elegiam como primeiro lugar um cara bonitão, mas de talento “normal”, o que o garantia apenas o primeiro disco de sucesso, e ainda outras vezes, mesmo os que perdiam ou tiravam em segundo ou terceiro lugares, conseguiam sucesso no mercado e produziam vários CDs e shows. Mas o número de gente boa recusada estava sendo maior do que o de “porcarias”, então o programa virou uma bandalheira. Chegávamos a ver o comportamento de certos “jurados” tendo que emitir opinião claramente contrária ao que pensavam, provavelmente por alguma imposição da diretoria da TV ou coisa do tipo. Uma tristeza. Diante de tantos problemas e reclamações, acabaram com este programa poucos anos atrás, assim como o Big Brother que estava virando uma verdadeira baixaria. Agora eles tem o Caça Talentos (“Australia's Got Talent”), que pode ser um cantor, um dançarino, um mágico, um músico, etc.


No palco enfrentando os monstros, nem todo mundo aguenta
Para os últimos programas Australian Idol, mais de 50.000 pessoas se enfileiraram para os testes em várias cidades e turnos, em idades entre 16 e 25 anos. Muitos estudantes que participaram do “School Spectacular” venceram em programas como o Australian Idol, que teve 6 edições, e outros como “Do You Think You Can Dance?” (“Você Acha que Sabe Dancar?”) e “Australia's Got Talent” (“Australianos Tem Talento”). 

Hoje em dia os programas proliferaram incluindo concursos de cozinheiros, de arrumar noivos e noivas, de trocar de esposas, de bab
ás de crianças endiabradas, de domar cachorros mal-comportados, sem falar nos eternos programas sobre modificações em casas ou construções arquitetônicas. Os programas “realidade TV” estão em toda parte.

Um dos melhores que passaram na TV SBS do governo foi sobre “asilo seekers” (pessoas procurando asilo), ou “refugees” (refugiados), chamado
“Go Back To Where You Came From” (“Volte pra Onde Você Veio”). Elegeram australianos comuns para viverem como refugiados em várias partes do mundo a fim de mudar a visão da sociedade sobre este problema crescente que assola todos os países do mundo atualmente. 

Australianos escolhidos por representarem classes diferentes: um jovem político líder dos “jovens liberais”, uma jovem auto-proclamada racista do controvertido bairro de Blacktown, uma fazendeira que teve o azar de ver instalado um centro de refugiados nas vizinhanças de sua fazenda, um “homem de família” influenciado pela mídia, um surfista salva-vidas da praia de Cronulla onde ocorreram brigas racistas entre os australianos surfistas conservadores e os bombados descendentes de imigrantes do oriente médio, e uma simpatizante da causa dos refugiados.
Entre eles haviam racistas convictos, que no final acabaram por mudar de idéia, incluindo uma jovem “bitch” que acabou descobrindo que tinha coração e que tinha sido muito “bitch” realmente, uma grande evolução. O programa foi engenheirado e guiado por um ativista na área de refugiados, e o grupo chegou a visitar Palestina, Iraque, Malásia, Liverpool (bairro de Sydney que concentra imigrantes africanos) e alguns países da África, onde encontraram os parentes dos que conseguiram imigrar legalmente para a Austrália e hoje vivem bem.

Os contestantes em frente a um meio de como refugiados chegam na Austrália, barcos
Mas voltando ao assunto dos shows, todo ano tem show natalino em todas as cidades, ao vivo, com muitos cantores desconhecidos e orquestras da mais alta qualidade, incluindo alguns “astros” descobertos nos tais shows dos adolescentes de curso secundário.

Frequentemente há mais shows em outras épocas do ano, quando promovem queima de fogos para concentrar as pessoas no centro das cidades ou “towns”, a fim de comemorar-se alguma coisa.

Pra quem gosta de shows, Sydney é uma boa cidade pra se morar, o que já não é o caso da pobre Canberra.

Eu comecei este post com a intenção de salientar o quanto a juventude australiana é frívola e valoriza a vida de celebridades, almejando entrar para o pequeno círculo dos artistas bem pagos. É um número assustador de estudantes tentando de tudo para se tornarem celebridades, uma verdadeira calamidade. Falei que são os piores alunos que procuram “artes” porque, não sabendo fazer nada e nem sendo bons em nada, eles tentam qualquer macaquice pra ver se dão certo.


Verdade que, no meio de tanta ignomínia e perda de tempo, tem gente de talento verdadeiro, um talento incrível e fora do comum. A Austrália contribui com muitos destes talentos para o mundo dos espetáculos mundiais de m
úsica e de cinema, como os Bee Gees assim como o filme “The Matrix” foi filmado em Sydney.

Cultura Polêmica


Então, como um exemplo das injustiças de que falei, entre 5 finalistas, Tarisai Vushe foi arrasada pelos jurados do programa Australian Idol de 2006 quando na apresentação anterior ela tinha sido coroada de um sucesso extraordinário. Nós, macacos velhos, achamos que ela foi fritada por ser de outra cultura, outra raça, e por ser muito superior aos outros. “Inveja mata”. Além disso parece que ela tem pavio curto também. Pesquisando na internet, acabei descobrindo que ela foi punida por sua religião e porque ela mantinha uma atitude discreta de humildade no palco.

O que eles esperavam? Ela é realmente estouvada, mas no palco mantinha a linha. Eles queriam que ela mostrasse sua “attitude” (que é como se fala quando alguém tem personalidade, diz-se que tem “atitude”). Sabe o que eles fizeram? Chamaram ela de “fake” (no caso, de mostrar falsa
modéstia). Eles queriam briga. Acabaram enfurecendo ela e cortando sua chance de subir ao pódium como vencedora.

Mas a africana Tarisai voltou! Seu web site é fabuloso e sua voz é páreo para Withney Houston e Beyonce. Como alguns outros artistas que falharam nestes programas Australian Idol, ela sobreviveu e tornou-se uma artista de sucesso.

Veja algumas das apresentações
da Tarisai no Australian Idol nestes vídeos:




Veja nos seguintes links, o web site oficial da Tarisai, a história do programa Australian Idol na Wikipedia, o site do School Spectacular, do Centro de Entretenimento de Sydney, e da série “Volte pra Onde Você Veio” na TV SBS, infelizmente tudo em Inglês:
 
http://www.tarisaionline.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Australian_Idol
http://www.schoolsspectacular.com.au/2009/index.php?page=abouthttp/
http://www.sydentcent.com.au/
http://www.sbs.com.au/shows/goback?cid=23225 

sábado, 17 de setembro de 2011

Churrasco à Brasileira

Dos 15 tipos de carnes servidas, 2 eram doces, 3 eram apimentadas.

Uma pequena porção de feijoada, uma cumbuquinha de farofa, outra de batatas com um molho de queijos muito delicioso mais uma cumbuquinha com vinagrete e outra com um molho alaranjado com cara de apimentado. Uma repetição a pedido.

Infelizmente perdi nossas fotos, espero que não me cobrem por reaproveitar estas da internet.

As carnes eram servidas em pratos, já cortadinhas. Nada de espeto. Do espeto, só corações de galinha, chouriços de frango ou calabreza. 

No espetinho so coração de galinha e linguiças, para o horror dos australianos. Ja viram caipirinha nesse copão?
Carnes finíssimas, super-macias, algumas muito gostosas, mas não exatamente ao estilo brasileiro. Só lembrava brasileiros, mas tudo neste restaurante era muito mais ao estilo australiano.

Churrasco, Brazilian Style BBQ ("barbeque")
Temperos doces e apimentados porque os australianos praticamente exigem isso, pois só comem assim. Então tem que agradar a eles para ter clientela, porque eles não gostam de “ousar” muito. Morrem de medo de tudo, de sal, de açúcar, mas não morrem de medo de pimenta braba, que dá até câncer de esôfago.

Ambiente descontraido, lógico

O presunto servido também estava gostoso, mas doce e com mostarda, que estranho, não é?

O porco estava delicioso, todas as carnes estavam excelentes. Mas os cortes das carnes são australianos. Nada de picanha, maminha, alcatra, cupim, etc. Só o filé coincide com o brasileiro, o resto leva outros nomes, como “sirloin”. Pequenos pedaços, não como aqueles cortados direto do espeto lá no Brasil.

Batatas quase dão banho no churrasco
Um alemão nosso amigo nos falou que é costume na Alemanha servir algo parecido com churrasco brasileiro no Natal. Como tem colônias de alemães no sul do Brasil, até que ponto pode haver influência deles no famoso churrasco gaúcho?

Praia de Coogee, a mais perto da Universidade de Nova Gales do Sul (New South Wales)
Este restaurante, o Churrasco (http://www.churrasco.com.au/), fica na praia de Coogee, em Sydney, mas existem mais 2 destes em outros subúrbios. É sem dúvida brasileiro, mas tem um sabor australiano. Até os garçons que falam Português parecem mais australianos do que brasileiros. Por ocasião do dia dos pais deste ano, aqui comemorado no primeiro domingo de setembro, tivemos o prazer de conhecê-lo para matar as saudades do Brasil. 

Praia de Coogee, com pinheiros!

Não há limite para o quanto se come, mas nada de self-service de saladas ou acompanhamentos. Acompanhamento é mínimo, como falei acima, mas o churrasco já dá para compensar, não é mesmo?

Rua da Churrascaria


Existem alguns restaurantes de comida brasileira em Sydney. Mas não existem em Canberra. O único Português que vendia produtos brasileiros não durou muito. Como diz um amigo nosso, Canberra não pode ser comparada com Sydney, Canberra é uma cidade de interior. Ninguém em Sydney pode gostar de Canberra.

Carnes já vem cortadinhas, deve ser para agradar os melindrosos australianos, que aqui carne é bicho raro

No restaurante eles costumam nos dar uns cartões verde ou vermelho, para comer mais ou avisar ao garçon que já se parou, não sei se já adotaram este sistema aí no Brasil, pelo menos não se usava na nossa época. Mesmo assim eles ainda ofereciam. Muito corteses.

Pra fazer o garçon parar, vire a rodinha

Depois de sairmos de lá, um sorvete italiano no vizinho, ou uma caminhada na praia super-lotada de um domingo dos pais, numa bela tarde de sol. Em seguida, uma caminhada saudável para se “resgatar” o carro, estacionado a várias quadras, subindo e descendo ladeiras, aliás, um bom exercício para depois de um almoço deste, mas pelo menos, estacionado de graça!

Querem saber mais? Acessem os seguintes links em Inglês:


Agora vejam o que eu achei na internet quando procurei comentários em Português. Se quiserem saber como é que os brasileiros tipicamente esnobes se referem aos restaurantes brasileiros em Sydney, visitem este site: http://www.brazilaustralia.com/restaurantes-brasileiros-na-australia/
 
Mas também leiam os comentários mais positivos de brasileiros menos esnobes. Precisamos valorizar nossa cultura, minha gente, ela é muito rica e invejada pelo mundo inteiro que, quando bota defeito, é porque quer comprar. E na Austrália você não sobrevive se não adaptar os gostos ao do australiano.