terça-feira, 3 de junho de 2014

O Roubo das Calcinhas

Pois é, lá venho eu falar mais uma vez da minha academia de ginástica, pois que, como a frequento todos os dias da semana, ela tornou-se uma atração à parte na Austrália. Quase todo dia eu tenho o que contar ao meu marido para rirmos juntos.

E não é que saíram roubando calcinhas lá na academia, vocês acreditam? Mas isso é muito comum de acontecer neste tal primeiro mundo que todo mundo diz que é um dos melhores lugares de se viver no planeta, o povo aqui tem muita prática nesta arte. 

Mas lá não tem homem...
Na realidade quero dizer que roubaram as calcinhas em potencial, porque ainda não estavam instaladas nas ginastas matriculadas na academia. Elas estavam à venda! Pois é, havia muitos produtos espalhados em amostras para venda, agora a dona teve que recolher tudo depois que as calcinhas começaram a desaparecer. Veja que capacidade, gente que pode pagar uma academia não poder pagar calcinhas, é safadeza mesmo, ou não é? Uma vergonha!

O sonho da australiana, G-string (fio dental)
E por falar em produtos à venda, lá também tem amostra grátis de certas novidades para ginastas, como produtos de dieta, por exemplo. Então surgiu uns pacotinhos de açúcar natural para emagrecer, que é feito de uma fruta totalmente desconhecida para mim, a fruta do monje (monk, em Inglês). Daí resolvi experimentá-lo, não o monje, mas o açúcar, melhor do que qualquer adoçante que já conhecia, mas com um preço muito caro no mercado. 

Adoçante de fruta do monje
Alguns dias depois, a dona me perguntou se eu tinha gostado e eu disse que muito, mas não do preço, então ela, que é uma pessoa de poucos amigos, me chamou no final das minhas atividades e me deu uma tonelada das amostras sem que ninguém visse. Olha que regalia! O que deu nela? Será que ela é mais uma das pessoas que estão descobrindo esta santa maravilhosa que eu sou aqui na Austrália? Finalmente, este é o ambiente a que estou acostumada, ambiente bem no estilo brasileiro, ambiente em que valho algum vintém.


Ai! Outra mulher me perguntou, como vai? Eu disse, vou ótima.
Ela disse, pois é, esta é a melhor parte, não é? Eu estava de saída.
Estas mulheres vão pra ginástica como obrigacão.
Não é o meu caso, a hora da saída é a pior.
Ainda sobre a academia de ginástica (“gym”, como falamos aqui), tem uma senhora daquelas poucas que falam com os outros, comigo principalmente, que é simpática. Outro dia ela me perguntou se eu gostava da Austrália e eu disse que não, sem nem pensar. Ela deu de ombros, daí eu perguntei de onde ela era. Ela disse que era australiana, mesmo não parecendo. Meu Deus, me quedei em desculpas para a mulher dizendo que tinha quase certeza de que ela era mais uma das milhares de estrangeiras ou descendentes de estrangeiras que a gente encontra pela frente neste país inteiro. Ela realmente descende de  francêses, mas já é quarta geração, portanto, bem australiana mesmo. Ela disse que não se importava, e chegou a sorrir comigo, então eu agora sei que posso falar o que eu quiser com ela, que ela não vai se enfezar. 


Pestinhas
Outro dia estávamos falando sobre criança porque ela pega os netos na escola 3 dias por semana, e por conta disto só vai para ginástica duas vezes por semana, mas como sei que as pessoas aqui, se não podem pagar creche, elas também não deixam com ninguém que não seja da família, então contei a ela, que ficou pasma, que nossos filhos foram para a creche depois de 4 meses de nascidos. 

Paranóia de pedofilia com criança desatendida
Ela fez várias perguntas, estatelada, como é que eu tinha coragem de deixar nossas crianças nas creches tão cedo, se eu não tinha medo ou receio e tal. Eu disse que não tinha essa paranóia de pedofilia daqui não. No Brasil se coloca empregada, mas eu preferia creche. Daí quem ficou pasma fui eu com a pasmeira dela.  

Crianças de todo lugar
Como eu estou ficando muito popular na academia, afinal estou lá todos os dias, mesmo não fazendo nenhuma amizade de verdade até hoje pois o povo aqui não passa disto, tem uma outra senhora que chegou para mim nesta segunda feira, depois de me cumprimentar e falou, você está com olheiras, precisa dormir mais. 

Maridão em casa, ai, ai...
Daí eu falei que, é que quando meu marido está em casa eu durmo pouco. 

Preferia que fosse assim...
Quando contei essa conversa pra meu marido, ele caiu na risada, pensando em outras coisas. Ela então perguntou, porquê você dorme pouco? Não dorme...? Ah, porque ele dorme pouco, vai dormir tarde, e como eu durmo mais de 8 horas, quando durmo menos do que isso, fico assim. 

Também não é assim...
A culpa é dele. Daí eu falei, e este final de semana então, foi super longo. Ele tirou mais 2 dias de folga.

Ela diz sempre que gosta muito de mim, e deve gostar mesmo, minha gente, porque a mulher é alérgica a perfume, imagine. 


Ah, meu sonho... não quero roupas, não quero jóias...
Eu sou famosa por viver totalmente perfumada, não saio de casa sem perfume, é uma coisa que não pode faltar na minha vida e prateleira, e não dou mole, é perfume todo dia. Quem quiser me agradar, me dê qualquer tipo de perfume, é tiro-e-queda.

Meu paraíso passa pelo nariz... não quero casa, não quero coisas...
Pois bem, quando a mulher chega perto de mim, dana-se a espirrar, coitadinha. Mesmo assim ela vem conversar comigo, embaixo de paus e pedras. Ela costuma usar um tubinho, então vai lá e dá uma cheirada no "puff" (paf) dela, volta a respirar por uns minutos e continua nesse processo o tempo inteiro.

Que maravilha... não quero festas, não quero luxo...
Mal eu a havia conhecido e perguntei, você não quer descansar um pouco, deve estar exagerando nos exercícios? Ela virou pra mim e disse, não é não minha filha, é que sou alérgica a perfume. 

Se o céu não for perfumado, não quero ir...
Pelo amor de Deus, minha senhora, então vá pra bem longe de mim porque eu vivo perfumada. Não senhora, eu gosto de conversar com você, eu dou um jeito, e puxou o tubinho dela e deu mais uma cheiradinha. Acho que ela é viciada...

sábado, 24 de maio de 2014

Eu e o Trem

Olá gente! Olha eu aqui de novo para falar dos trens de Sydney.

E não é que tive que me dobrar à superioridade dos trens de Sydney?

Nesta quarta-feira passada eu tinha um compromisso na cidade novamente, mas a TV estava dizendo que ia ter passeata e manifestação dos estudantes universitários contra o aumento das taxas pagas às universidades, então pensei comigo mesma, vou ficar presa no trânsito como da outra vez (veja o post "Maratona Balouçante" sobre isso). Não é só no Brasil que está tendo manifestações populares, e aqui tem ainda mais protestos contra o aumento dos impostos também.

Manifestações dos universitários em Sydney contra o aumento
das taxas escolares 
em 21 de maio de 2014
Choque com a polícia
Pega aqui, rasga alí
Gás lacrimogêneo, altercações e prisões
Então finalmente resolvi utilizar o novo Light Rail (trenzinho) que inalguraram dois meses atrás bem aqui na esquina de casa para ir para o centro. 

Mas o maldito trenzinho não chega até o centro, ele fica no meio do caminho, além disso custa duas vezes uma passagem de ônibus, daí dá pra você entender logo o meu mau humor de utilizá-lo, pois é muita falha pra um trenzinho só.

Enquanto isso, eu de leve, no Light Rail
(Trem Leve)
Porém, diante de ficar presa no ônibus e tentar outra alternativa, resolvi arriscar, até porque a estas alturas minha filha já utilizou o tal Light Rail e gostou, se bem que no dia em que ela tentou, houve acidente no caminho dele, e ela ficou no meio do trajeto, um pouco longe do seu destino. Porém deu pra caminhar até lá. Parece que todo dia tem uma coisa que impede esse trenzinho de chegar ao destino.

Light Rail na frente do mercado Paddy's Market
Então, resolvi tentar o Light Rail pela primeira vez e descer no local em que ele termina, que é na estação central, aonde se encontra com o tremzão. Lá fui eu curtir o trenzinho pela primeira vez. E não é que gostei?

Levaria 30 minutos pra chegar na estação central de trens mas lá pras tantas o condutor do trenzinho começa a falar pelos cotovelos no microfone, dizendo qualquer coisa sobre não poder ir além de certo lugar por causa das manifestações. E o jeito era eu descer e ir andando até a estação central dos trenzões e tentar aquele mesmo da outra vez.

Light Rail por dentro... não, eles não estão de cuecas, estão de farda
Só que eu não conhecia o lugar onde ele ia nos deixar. Então virei pro lado e perguntei a uma senhora que estava do meu lado se o condutor havia dito aquilo mesmo. Ela disse que sim, daí eu perguntei se ela sabia como se chegava na estação central dali. Ela disse que ia pra lá, se eu queria ir com ela. Eu disse que sim, e assim fomos.

Antes deixa falar do cobrador do trenzinho. Pois é, o cara sai pelo meio das pessoas como se estivéssemos nos anos 1800 (eu não era nascida mas vejo filmes), cobrando um por um dos passageiros. Mas a certa altura subiu tanta gente, tanto estudante que provavelmente ele não conseguiu cobrar todo mundo. Mas que coisa mais burra, pensei cá com meus botões. Cada coisa, numa cidade moderna destas...

E fomos eu e a senhora asiática pela calçada quando ela disse, eu vou entrar aqui um pouco, você vai me esperar? Eu disse, vou sim, e fiquei na calçada. Tratava-se de uma joalheria. 

Alí eu estava toda faceira quando se aproxima um negão sujo e maltrapilho. Ih, minha gente, isso aqui não é primeiro mundo coisa nenhuma. Ele começou a falar comigo, daí eu saltei com a minha frase padrão para espantar quem eu não estou a fim, que é "eu não falo Inglês" (falando). A pessoa diz, "sorry", e vai embora loguinho. 

Sem-teto engraxate em Sydney
Ele apenas se afastou um pouco, e eu me afastei mais ainda daquela coisa suja e malcheirosa, parecia um trem virado. O homem cuspia o tempo inteiro, e quando olhei de novo, ele estava cuspindo nas vitrinas da loja. Oxe, cruz, credo, t'sconjuro!

Pra viver nas ruas de Sydney tem que explicar porque
Depois de certo tempo, outro cara muito bêbado, já caindo por cima de mim, veio me pedir dinheiro e eu fingi não estar entendendo e soltei mais uma vez minha frase mágica "I don't speak English", botando mais uma vez outro sujeito para andar. Já vi que não dá para fazer ponto em nenhum lugar em Sydney que não se seja incomodada. Fazer ponto é força de expressão, vocês entendem...  

Google "sydney homeless" (sem-tetos de Sydney) imagens 
e verá centenas de fotos "interessantes"
O centro de Sydney é cheio de pessoas maltrapilhas que dormem pelas calçadas de uma longa rua comercial, por exemplo, que são os famosos "homeless" (sem teto). Eram 105.000 sem-tetos vivendo na Austrália no final de 2012.

Quando a mulher finalmente saiu da loja, e ela levou um tempão que deu pra eu observar bastante a vida passar em Sydney, eu contei tudo que tinha visto pra ela enquanto andávamos até chegarmos na tal estação de trens. "Você sabe como comprar a passagem?", eu disse "não", afinal eu estava em outra estação colocando meus pés pela primeira vez, e ela disse, vem comigo que eu vou comprar também. A mulher ia pra o aeroporto pegar o avião para Queensland, o estado em cima do nosso, direção oposta à minha que ia para o centro, mesmo assim me levou até a plataforma que eu embarcaria, pois eram perto uma da outra. E assim nos despedimos.

Ela tinha vindo todo o caminho agarrada na bolsa. Devia ter comprado alguma jóia na joalharia. Ela me disse que o caminho pelo parque era mais perto, mas ela não andava em parques em Sydney. Pelo jeito como ela se agarrava com a bolsa, entendi tudo. Então não se pode caminhar tranquila pelos parques de Sydney também não, né? Okay, paraíso.

O trenzão e metrô de Sydney
Dali em diante vocês já sabem, peguei o trem chacoalhante e fiquei tonta de novo. Tentava não olhar pra nenhuma cena balouçante, mas não tinha jeito. Cada vez que olhava pros outros vagões, cada um indo pra um lado, só faltava desmaiar de tontura.

O trem chacoalhante de dois andares
A volta foi de ônibus, e levei um tempão pra variar. Sinceramente, é bem mais rápido andar de trem em Sydney, só agora que sei porque fui obrigada a utilizá-los. Cá pra nós, vamos dar o braço a torcer, são bem confortáveis e rápidos. E o pequeno Light Rail que me deixa na porta de casa também é rapidinho porque não tem tráfego, a linha é só dele, né? Se não fosse tão caro...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O Patrocínio

Aqui na Austrália pode-se patrocinar uma criança no terceiro mundo através de várias instituições internacionais. Através da ajuda dos patrocinadores, a criança vai para a escola primária e depois à escola secundária.

Salve as crianças
Porém, alguns aspectos são bastante questionáveis sobre esta relação criança, instituição, patrocinador.

Por exemplo, o patrocinador não pode conhecer a criança pessoalmente nem através dos anos. Todo o contato com ela tem que ser através da instituição que permite ou não o tipo de contato que a pessoa possa querer ter. A criança e seus familiares também não sabem quem é o patrocinador dela. Os contatos são feitos através de raríssimas cartinhas escritas pela criança e enviadas para o patrocinador sem maiores detalhes e muito mal uma simples foto anual, e cartões de Natal do patrocinador para a criança e família, tudo através da instituição e submetido à sua censura e crítica.

Fundo da criança
O patrocinador normal do tipo brasileiro se sente orgulhoso de ser capaz de fazer esta boa ação com crianças do terceiro mundo, incluindo o Brasil, mas como brasileiro, ele deseja muito mais do que este simples contato, o que a natureza providenciaria em seu curso natural se não fosse por alguns "senões" da intervenção da tal instituição. O grande mérito de tal instituição seria de unir pessoas que tem algumas posses com pessoas que não tem, numa ajuda mútua, pois, de sua parte, o patrocinador teria prazer de fazer parte de mais famílias, mas ela não permite este prosseguimento natural das coisas.

Família Smith
Senão, vejamos. Se eles permitem que o patrocinador conheça a criança, ele pode tentar seduzí-la com outras intenções no estilo pedofilia, que hoje em dia é tão divulgado no mundo. Se a criança ou os familiares sabem quem é o patrocinador, eles podem tentar explorá-lo para obter mais dinheiro, seja com ameaças ou simplesmente com insinuações e pedidos, ao contarem histórias de necessidades. Se eles assumirem o patrocínio por si próprios, a instituição perde significado no caso. Além disso, a família pode ter mais filhos, e até os amigos e vizinhos podem tentar conseguir patrocínio também, tornando a vida do patrocinador um inferno, e fazendo-o abandonar, enquanto que a instituição providenciaria outro patrocinador, no caso, a fim de não interromper o patrocínio. A instituição também mantém controle sobre as escolas atendidas e o comportamento das famílias, sem falar nos das crianças, promovendo situações familiares e ambientais estáveis.

Ajuda mundial batista
Ou seja, a instituição faz o bem ao manter as condições materiais da família estáveis, mas falha em promover o riquíssimo aspecto humano da relação para evitar a exploração de um mínimo percentual de gente errada. Por um lado eles estão certos, mas por outro eles falham ao não promoverem a verdadeira amizade.

Cabe à instituição evitar que desvios aconteçam, de maneira que a criança seja protegida dos eventuais predatores que venham a se aproveitar da situação beneficente, e os patrocinadores sejam protegidos de serem explorados, assediados e se aborrecerem com mais pedidos ou histórias deprimentes que os deixem em situação difícil e constrangedora.

Guy Sebastian, vencedor de um dos
Australian Idols, embaixador da World Vision
Mas nós, brasileiros, normalmente pensamos de maneira diferente.Não costumamos ajudar os necessitados com intenções funestas e caso os beneficiados apareçam com outras demandas, sabemos muito bem como mantê-los no lugar deles. Certamente que este tipo de relacionamento pode provocar discussões, desentendimentos ou até brigas. Nesse ponto, a instituição faz bem em intervir e interceptar, mantendo a coisa impessoal, mas patrocinadores do tipo brasileiros acham que eles talvez façam demais.

Alcance da World Vision
Quando começamos o tal patrocínio, podíamos enviar ou entregar presentes por conta própria e já que o escritório ficava na nossa cidade, fizemos isto, deixamos o presente lá para ser entregue na aldeia da criança patrocinada. Quando fomos lá alguns anos depois, tentamos fazer o mesmo e este escritório já não existia, não mais para receber os patrocinadores, só para correspondências e depois passamos a só poder manter contato através do escritório central na Austrália, sob um controle acirrado.


Acima o vídeo "Conviva" (Get Along) com Guy Sebastian.

Isso porque a instituição dificulta ao máximo este tipo de coisa. Ora, isso aos olhos do brasileiro não parece muito normal. Tudo o que os patrocinadores podem enviar para as crianças tem que ser "aprovado" por eles, ou seja, tudo é invenção deles, e as invenções deles são as mais ridículas possíveis como cartões de Natal e joguinhos chinfrins em Inglês, o que é pior. Além disso, de vez em quando eles aparecem com chantagens para que você se sinta obrigado a aceitar as sugestões de enviar coisas inócuas para as crianças patrocinadas, as quais você próprio não aprova. Inclusive já reclamamos sobre isso, mas anos depois eles voltaram a fazer a mesma coisa. Reclamamos que eles estavam agindo só com interesses e esquecendo-se do coração. 

Exército da Salvação (Salvation Army)
Eles chegaram ao ponto de nos enviarem vários pedidos de dinheiro por ano, colocando valores estipulados por eles próprios, e mesmo com tantas reclamações nossas e ficando de acordo conosco, eles recomeçaram a pedir, mas pelo menos agora nos deixam livres para mandarmos só aquilo que podemos arcar, mas tudo isto tem sido sob muita pressão, ignorando que já pagamos uma mensalidade bastante considerável e por vários anos. Ora, se temos que gastar tanto mais por uma única criança patrocinada, caso pudéssemos arcar arrumaríamos outra criança ao invés de gastar com uma só privilegiada.

Compaixão
Pelo menos os patrocinadores podem acompanhar o crescimento da criança e ver como ela mantém a aparência de estar sendo bem atendida na escola, na vida e na família em geral. Nesse ponto, a instituição mantém um bom controle sobre como o dinheiro dos patrocinadores tem sido usado pelas famílias. É um "bolsa-família" internacional patrocinado por qualquer pessoa que deseje dar uma de boa samaritana. Talvez tenha precedido o programa bolsa-família brasileiro, cujas pessoas gostam de falar tão mal mas com certeza não falariam mal de uma instituição internacional.

Estranhos presentes...
Para nós, brasileiros, este excesso de proteção da instituição talvez se deva à paranóia que os australianos tem com relação a tantos pervertidos que existem por aqui, se bem que este número nunca é tão grande quanto o número das pessoas realmente bem intencionadas e de bom coração, assim como também em outros países de primeiro mundo. Se fosse pelos brasileiros, as famílias se tornariam amigas e as crianças ficariam muito mais satisfeitas de saberem quem era exatamente o "padrinho" ou "madrinha" delas, além de eventualmente poderem até visitá-los no exterior, mas este conceito não passa pela cabeça dos australianos que não sabem o que é amizade e não se sentem bem com visitantes dentro das casas deles, é o que eu acho. Eles preferem ajudar, sim, fazer algo de bom, sim, "mas longe de mim, não me toque, não se meta na minha vida privada e fique na sua". Bem, antes assim do que de jeito nenhum.

Durma com uma zoada destas!


Acima, vídeo "A Arte do Amor" (The Art of Love) com Guy Sebastian e Jordin Sparks.

Para terminar, esqueci de falar que, no começo, havíamos selecionado uma criança brasileira pois só queríamos se fosse assim. Eles nos arranjavam um garotinho que aniversariava no mesmo dia de um irmão meu. Logo depois eles disseram que haviam retirado o garoto do programa de benefícios e nos ofereceram afrcanos. Ora, se tínhamos gnete precisando no Brasil, porque iríamos ajudar africanos assim, como simples objetos inanimados saídos do nada? Não aceitamos até que eles acharam outra criança brasileira que está conosco até hoje.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Jóias da Ginástica

Tudo tem continuação, não é mesmo? Pois bem, pessoas que usam seus headphones na cabeça lá na ginástica deram lugar a outras que de vez em quando tem coragem de trocar duas palavras.

Então, dentre as palavras que têm me dito, algumas pérolas rolaram que tem me deixado muito lisonjeada por alguns minutos.


Jóias e pérolas rolando como num buquê de noiva - triste de quem for acertada na cabeça...
Em uma conversa, por exemplo, uma senhora ficou sabendo que fazer ginástica é a forma com a qual eu elimino meu stress. A pessoa se espantou, "o quê? Você se desestressa fazendo ginástica?" Pois é minha filha, nunca ouviu falar nisso não? Tou aqui todo dia, faça chuva, faça sol, inclusive nos fins de semana, sábados e domingos.

Realmente tenho melhorado bastante o meu humor por causa da minha ginástica diária que tanto adoro e posso fazer em paz, mas o fato é que, querendo ou não, acabo chamando a atenção das mulheres daquele pedaço de mundo. Lembrem-se, a academia é só feminina.

Eu no Cirque du Soleil seria assim?
Duas outras vieram pra mim dizer que adoravam a forma como eu fazia o Fitball (para quem não conhece, é um tipo de exercício em cima de uma bola enorme) me contorcendo toda, parecendo uma ginasta do Cirque do Soleil! Imagina, eu no Cirque do Soleil! Nem de circo eu gosto, mas dei boas gargalhadas.

FitBall, exercícios nas bolas...
Até deixei de fazer Zumba porque chamava muita atenção, mesmo ficando lá atrás, fazendo com que a professora mandasse todo mundo olhar pra mim, virando-se para trás, eu não estava a fim daquele tipo de estrelato, então descobri um site que dá aulas de Zumba para mim em casa, no computador, e danço ali mesmo para a minha imensa platéia do cachorro.

Dançando para a platéia do cachorro... ou será o contrário?
Ontem uma outra senhora veio me dizer que adorava minhas "tights"! Vixe, cruz credo, minha senhora, o que foi que a senhora disse? Acho que não entendi direito. "Suas tights, minha filha, onde foi que você comprou?" O que, minha senhora, a senhora pensa que minhas tights são de silicone que eu comprei na feira e mandei um charlatão colocar? "Não, minha filha, suas tights, isso aqui ó", e beliscou minha calça de lycra. Ah, então isso se chama tights também? Ora, como vou saber de tal coisa? Tights pra mim sempre foram aquilo que as australianas adoram afastar para receber benefícios sociais (coxas), e eu já estava pensando que estava sendo assediada de novo por outra "transgender". Ah, minha senhora, custou xis e comprei na loja tal, pois não? Que alívio...

Eu e meu bambolê no Cirque du Soleil (não levem a sério...)
Há uma mulher loura européia nos seus trinta que chega com seus headphones na cabeça e não os tira de jeito nenhum, ocupando apenas uma máquina por quase uma hora. Ontem ela começou a cantar, falar alto no celular, ela fez o diabo, que já estava começando a incomodar os outros. Acho que ela não sabe que está quase gritando, alguém deveria dizer pra ela, "minha filha, baixe o tom, que ninguém pode ouvir o próprio som de seus umbigos ou de seus headphones", porque nem mesmo o som ambiente a gente conseguia mais escutar, só a tal da língua da mulher que eu não compreendia de jeito nenhum, por mais que tentasse, é claro. Talvez albanês?

Ela só faz um exercício, que é aquele com um aparelho elíptico magnético, que substitui bicicleta ergométrica, esteira e step de uma vez só e se parece com um simulador de caminhadas (não, não é a esteira rolante, é um que fica-se balançando as pernas como se estivesse andando sem sair do lugar). Esta mulher passa horas nesta máquina, fica bufando e parece estar se acabando quando termina. Quem será que lhe "prescreveu" tal exercício pura e simplesmente, pra ela não fazer mais nada? Isso não pode estar certo. Qualquer dia ela tem um enfarte e é fulminada alí mesmo.


Suor fulminante
Perguntei se ela estava passando mal. “Não, puf, puf, são só os exercícios mesmo, puf, minha filha, puf”. Como eu lhe disse que a ginástica me ajuda a esquecer das coisas e espairecer, ela disse que estava ali por causa dos problemas da cabeça dela. Só que os problemas da cabeça dela são doidice mesmo. As máquinas só podem ser usadas por 15 minutos, a academia fica cheia mas ninguém reclama. Como ninguém quer falar com ninguém, então ninguém pergunta nada, só fica peruando por lá, disfarçando. Ela não precisa ficar se acabando na máquina pois não é gorda nem nada. Ela é cheia de dispositivos e aparelhos de medição, deve ser psicótica também.


Bambo-bola
Quando comecei na academia, notei que no sábado e domingo, quando fecha às 12 horas, chegava muita gente às 11:30 e 15 pras 12. Sugeri às instrutoras prolongarem 1 hora a mais do horário para que estas pessoas pudessem se exercitar direito. Elas me mandaram sugerir à dona. Falei com ela, que deu desculpa dizendo que aquilo era fase de verão, mas desde julho que eu vejo a mesma movimentação. Que tal mudar para de 10 à 1 da tarde? Desculpas de novo. Desisto. Ela disse, ah, de manhã tem gente que vem cedo porque quer se livrar logo. Fica muito lotado na hora de sair e a funcionária tem que fechar e mandar todo mundo às favas em 15 minutos porque ela é paga por 3 horas e pronto. Sugeri fechar a porta da frente antes pra o povo não chegar tarde. Nan-na-nin-na-não. Ah, vá catar coquinhos. Vê como esse povo é complicado! Parece até que eu é que sou a dona da ginástica que quero agradar minhas clientes!


Dando tratos à bola.
A dona da ginástica é muito tosca, antipática, fechada, que não dá um risinho e não gosta de conversa. Como eu descubro tudo, até deste lado do mundo, descobri que é porque ela teve uma vida muito dura que lhe ensinou a não dar conversa fiada para ninguém. Bem, respeitemos, né? O que tem ela de antipática, tem de simpática as suas instrutoras, cada uma de uma nacionalidade diferente, o que é bastante curioso e relaxante, ainda bem.

Ah, acabei parando de dar murros no saco de box desde que contraí uma peçonha de dentro de uma luva que foi difícil de me livrar. Bem, não se pode ter tudo e nada é perfeito. Mas como eu gostava de quebrar a cara da Austrália, nem imaginam!


Pé na bola.
E para finalizar, devagar as pessoas vão soltando o verbo. 

Esta companheira asiática de ginástica é baixinha e gordinha, tem meninos pequenos e um jeitinho muito meigo e simplesinho. Outro dia ela aproveitou que tinha pouca gente na academia e estava tirando fotos de si mesma nas máquinas de ginástica. Era para mostrar ao marido que estava mesmo na ginástica?


Hoje ela chegou pra mim e falou "estou muito cansada, mas você não parece nem um pouco cansada. Você acredita que eu contei sobre você pro meu marido? Eu disse que você faz ginástica todo dia e está ficando cada dia mais elegante e esbelta. Sabe o que ele me disse? Então vá pra ginástica todo dia." 



Mim, ficando esbelta, olha que chique!
Que coisa mais ingênua de ela contar pra mim, não é? Ganhei meu dia...